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Entrevista: O Boletim Resag entrevistou Alice Momoyo Sakuma

Alice é Diretora do Centro de Materiais de Referência do Instituto Adolfo Lutz, Integrante do Núcleo de Coordenação da RESAG e Coordenadoar do subproduto MRC da RESAG.

Boletim Resag: Qual a motivação para desenvolver os materiais de referência certificados (MRCs) propostos na RESAG?

Alice: Os materiais de referência certificados são ferramentas importantes, principalmente, para a validação de métodos analíticos e controle interno da qualidade. A maioria dos MRCs disponíveis comercialmente é importada, o que torna difícil o acesso, tanto devido ao alto custo quanto às dificuldades na importação dos mesmos. Para termos uma opção nacional de MRC, foram propostos no projeto SIBRATEC – Rede de Saneamento e Abastecimento de Água (RESAG) a produção de dois MRCs na matriz água: um para certificação de 10 metais em nível de traço e um segundo MRC para fluoreto e nitrato. Os níveis definidos estão consonantes com os especificados na legislação para potabilidade de água.

Boletim Resag: Quais necessidades o Instituto espera atender com o oferecimento desses materiais de referência?

Alice: O Instituto Adolfo Lutz, com apoio da FINEP no projeto SIBRATEC/RESAG, espera suprir as demandas de laboratórios públicos e privados que realizam análises de água para consumo humano, além de outros tipos de água.

Boletim Resag: Como os MRCs ajudarão os laboratórios em seus processos de medição?

Alice: Como os MRCs são materiais que apresentam os valores de propriedade e suas incertezas declarados no certificado, atuando como "padrões", os usuários poderão avaliar o desempenho dos métodos comparando seus resultados com os valores certificados. Dessa forma poderão garantir que os resultados emitidos tenham confiabilidade metrológica e também poderão monitorizar os seus resultados ao longo do tempo, por exemplo usando os MRCs para a construção das cartas controle, e principalmente para garantir a rastreabilidade dos seus resultados de medição, além de viabilizar a acreditação junto ao INMETRO.

Boletim Resag: A comercialização será feita pelo próprio Instituto Adolfo Lutz?

Alice: Os MRCs serão comercializados pelo Instituto Adolfo Lutz.

Boletim Resag: Quais benefícios o Instituto espera perceber como produtor destes materiais?

Alice: Para que o Instituto Adolfo Lutz passasse a produzir material de referência foi necessária a modernização da infraestrutura de alguns laboratórios e, também, a implementação do Sistema de Gestão da Qualidade, de acordo com os requisitos das normas ABNT NBR ISO/IEC 17025 e ABNT ISO Guia 34. Em consequência disso, foram acreditados pela Coordenação Geral de Acreditação (CGCRE-INMETRO) 20 ensaios em água, e espera-se que, até o final do projeto, dois produtores de materiais de referência possam ser acreditados também, o que será mais um dos resultados importantes que apresentaremos em resposta ao apoio recebido nessa linha do governo – MCTI.

Boletim RESAG: Quais os aspectos críticos em uma produção de MRC?

Alice: Para a produção de MRCs, o laboratório deve implementar um sistema de gestão da qualidade para atender aos requisitos da norma ABNT ISO Guia 34, que contempla requisitos de direção e técnicos. Os requisitos de direção que o laboratório deve atender são muito semelhantes aos definidos na norma ABNT NBR ISO/ IEC 17025, porém, os requisitos técnicos são específicos para produção do material de referência.

Um dos aspectos críticos para produzir um MR é o planejamento. É nesta fase que é definida toda a infraestrutura necessária (insumos, matriz, equipamentos, método analítico validado, tipo de embalagem, logística para armazenamento, comercialização e distribuição do material). É nesta fase, também, que é avaliada a necessidade de treinamento e capacitação da equipe técnica, ou se haverá subcontratação de atividades. No planejamento, ainda, são estabelecidas as etapas do processo (amostragem, produção, testes para avaliar homogeneidade e estabilidade, e para caracterização do material).

Portanto, o planejamento deve ser o mais detalhado e abrangente possível, a fim de evitar problemas futuros por falta de previsão.

Outro aspecto crítico é a definição das condições de embalagem e armazenamento do material de modo a preservar suas caraterísticas. Muitas vezes, não estão disponíveis na literatura este tipo de informações para a matriz e mensurandos de interesse, acarretando em realização de muitos testes visando obter as condições ideais.

Finalmente, a decisão sobre como será feita a caracterização pode ser crítica, pois nem sempre existem métodos primários para análise do material, fazendo com que os produtores tenham que recorrer à organização de comparações interlaboratoriais, com a participação de laboratórios acreditados e outros reconhecidos na área.

Boletim RESAG: Mundialmente quais são os produtores de MRCs em água mais recomendados?

Alice: Os principais fornecedores de MRCs internacionalmente reconhecidos que fazem parte do banco de dados do COMAR - International database for certified reference materials são: NIST – National Institute of Standards and Technology (Estados Unidos), ERM – European Reference Materials (Europa), NRC - Institute for National Measurement Standards (Canadá), dentre outros. No Brasil, o INMETRO é um dos produtores de materiais de referência certificados em água e existem empresas privadas acreditadas como produtores de MRC que também os oferecem para pH e condutividade eletrolítica.

Boletim RESAG: Diante da indisponibilidade de Materiais de Referência Certificados, quais alternativas um laboratório pode buscar?

Alice: Idealmente o laboratório, para garantir a confiabilidade dos resultados analíticos, deveria usar um MRC e participar de programas de ensaio de proficiência (PEP). Na falta de MRC o laboratório deve participar de PEP, de provedor preferencialmente acreditado, com frequência adequada, que permita monitorizar os seus resultados ao longo do tempo. O laboratório, também, pode fazer testes de recuperação, a partir de fortificação de analitos nas amostras de interesse.


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