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Boletim Especial Resag n° 33: Valor da água

E se pararmos de falar de água e começarmos a falar de segurança hídrica?

Resag O Rio Hai Tianjin, China. Imagem: Yang Aijun / Banco Mundial A água estará sempre lá, não a segurança da água. É um conceito mais envolvente que permite aos cidadãos comunicar melhor a complexidade do ciclo hidrológico urbano e torná-los participantes do modelo de gestão, seus benefícios e riscos. Usuários bem informados tornam possível criar o contexto para uma governança participativa e transparente no qual todos nós nos sentimos envolvidos. A segurança hídrica vai além do simples acesso à água e envolve trabalho constante.

Há alguma confusão entre os cidadãos sobre alguns conceitos-chave para a compreensão do escopo e significado do ciclo hidrológico urbano, o que dificulta significativamente o progresso rumo à sua eficácia. Os governos, operadores e todas as instituições envolvidas devem fazer um esforço para informar adequadamente sobre o acesso à água e ao saneamento, que é muito mais complexo do que se pensa popularmente. É complexo, mas não incompreensível, e este é um desafio de comunicação que temos de enfrentar com urgência.

Menos conversa sobre água e mais sobre segurança hídrica?

Uma causa frequente de confusão é a falta de comunicação sobre o conceito de "acesso à água". O enunciado do Direito Humano à Água e ao Saneamento, que foi resolvida em 2010 pela Assembléia Geral das Nações Unidas, teve o efeito colateral que para certos setores da opinião pública a água passou a ser categorizada como "bem público universal", e a estabelecer como premissa para construir qualquer modelo de gestão.

Resag Embora o conceito seja filosoficamente bem intencionado, ele é impreciso, entra em conflito com a realidade e dificulta a construção de uma governança sustentável e resiliente diante do grande desafio da mudança climática, da poluição e dos desequilíbrios demográficos e econômicos que se aproximam.

Diante desta situação de crise global, é muito mais eficaz, como a maioria dos especialistas aponta, falar em termos de "segurança hídrica". A definição mais universalmente aceita do termo é a dos economistas David Grey e Claudia W. Sadoff (2007): "o fornecimento confiável de água quantitativa e qualitativamente aceitável para a saúde, a produção de bens, serviços e meios de subsistência, juntamente com um nível aceitável de riscos relacionados à água". Uma definição que resume adequadamente Andrés Martínez, professor titular da Universidade de Cuenca, como "a capacidade de aproveitar o potencial produtivo da água e limitar seu potencial destrutivo".

A primeira contribuição valiosa da definição é o termo "confiável", que não inclui a mera disponibilidade do recurso, mas exige a eficiência do serviço. Isto permite que as disciplinas associadas à gestão da água sejam atribuídas com maior precisão: meteorologia, climatologia, hidrologia e tecnologias de captação são preferencialmente localizadas na área de disponibilidade; enquanto que o serviço é preferencialmente associado à economia e pode assim ser definido de forma simples e superficialmente como uma indústria.

A introdução da segurança hídrica permite situar os direitos humanos de forma mais abrangente na esfera política, que é onde ela nasceu originalmente: uma resolução que insta os Estados e as organizações internacionais a fornecer recursos financeiros e tecnológicos para alcançar um abastecimento de água potável segura e saneamento que seja saudável, limpo, disponível e acessível para todos; ou seja, a obrigação dos Estados de proporcionar segurança hídrica aos cidadãos e, consequentemente, facilitar a implementação de modelos de gestão eficazes.

Compreender o preço da água

É importante ressaltar aqui que a definição do direito humano à água inclui a de sua acessibilidade: a conta da água não deve exceder 3% do orçamento familiar, segundo a ONU; em outras palavras, e isso se reflete nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, o abastecimento de água tem um custo que deve ser refletido em um "preço".

A água fornecida no ciclo urbano não pode ser gratuita, embora esteja claro que uma governança efetiva deve desenhar uma política de preços que, além de recuperar custos, gere incentivos econômicos que garantam a resiliência financeira do modelo e que, naturalmente, seja justa. O sistema de preços deve também tornar claro o custo ambiental e facilitar a evolução para a economia circular, tendo em conta o custo da luta contra os contaminantes, especialmente os emergentes, que constituem um fator de risco adicional na oferta.

Resag Mover o conceito de bem público da água, como mero recurso, para o conceito da segurança hídrica a ser pago coletivamente, permite uma abordagem mais inclusiva do ciclo urbano para os cidadãos. Ao incluir riscos destrutivos, como secas, inundações e poluição, na concepção de um sistema de preços transparente e consensual, esta variável de risco pode ser transmitida mais claramente aos cidadãos e estes podem tornar-se mais conscientes da realidade do processo de abastecimento. Com um modelo de precificação bem explicado, todos nós também podemos ser participantes das perdas e compreender a vulnerabilidade do acesso à água. Desta forma, podem ser lançadas as bases para uma sociedade mais responsável no uso da água e mais unida numa perspectiva planetária.

No Peru, 62% das pessoas nas zonas rurais e 18% nas zonas urbanas ainda não têm acesso a um saneamento adequado.

Do ponto de vista da segurança hídrica como um bem público bem compreendido pelos cidadãos, a controvérsia sobre a gestão pública, privada ou mista da água perde protagonismo, o que virar a página de uma controvérsia que sempre foi distorcida por ideais políticos de diferentes lados, quando na realidade o que todos precisamos é de um modelo eficiente que garanta a adaptabilidade às vicissitudes da mudança climática, e que facilite o progresso para uma economia circular internacionalizada.

Resag Banheiro público na favela de CiudadPachacutec, Distrito de Ventanilla, Província de El Callao, Peru. Imagem: Monica Tijero / Banco Mundial. Livre da visão limitadora do direito simples de acesso à água pelo direito muito mais aberto à segurança hídrica, o desafio de comunicar bem aos cidadãos não diminui, mas está carregado de conteúdos mais compreensíveis e com maior potencial de alcance. Se explicamos bem o ciclo urbano diferenciado da água, a disponibilidade do recurso, a água antes do tratamento e o processo de abastecimento, poderemos então explicar melhor o papel da climatologia e da meteorologia e erradicar a ideia de que o problema da água se deve apenas à seca. Assim, é possível explicar melhor as instalações e a tecnologia avançada necessárias para o abastecimento, e que estas devem ser garantidas por um modelo de gestão eficiente: devem estar sempre atualizadas para minimizar as perdas, proteger-nos da poluição, salvaguardar o ambiente e responder às crises de escassez. Desta forma, poderemos também compreender melhor os debates sobre o consumo da agricultura, o equilíbrio das bacias hidrográficas e, em suma, a importância da água como gerador de riqueza.

Estamos perante um desafio que temos de enfrentar para avançarmos coletivamente. Somos obrigados a encontrar os conteúdos e os canais de comunicação adequados para sensibilizar os cidadãos para o ciclo hidrológico urbano. Uma cidadania informada facilitará a adoção de modelos de gestão eficazes, pois eles serão propriedade intelectual de todos.

Fonte: Traduzido do espanhol. We are Water Foundation. Publicado em 10 abril de 2019. Disponível https://www.wearewater.org/es/y-si-dejamos-de-hablar-de-agua-y-empezamos-a-hablar-de-seguridad-hidrica_314841

Difíceis de remover, fármacos, cosméticos e outros compostos contaminam recursos hídricos

Os chamados contaminantes emergentes motivaram laboratório da USP em São Carlos a desenvolver técnica para solucionar o problema

Você sabia que a água que você consome em sua casa pode não estar totalmente livre de impurezas? Esse risco existe quando produtos que utilizamos no dia a dia, como remédios, protetores solares e itens de higiene pessoal são encontrados em rios que abastecem municípios. As estações de tratamento de água não conseguem remover completamente esses compostos, já que não possuem equipamentos apropriados para a tarefa. Batizados de contaminantes emergentes, essas substâncias desafiam há anos centenas de cientistas brasileiros a buscarem soluções eficientes e a entenderem os impactos que elas podem causar ao meio ambiente e aos seres vivos.

Resag Segundo o professor Eduardo Bessa Azevedo, do Instituto de Química de São Carlos (IQSC) da USP, o Brasil ainda não possui uma legislação que determine quantidades seguras desses contaminantes na água.

"São substâncias encontradas em pequenas concentrações, mas que, se consumidas por anos, podem trazer algum risco", alerta.

Estudos indicam que o lançamento não controlado de fármacos nos corpos d’água pode, por exemplo, gerar o desenvolvimento de microrganismos resistentes a antibióticos. Caso haja a ingestão dessa água contaminada, seres humanos e animais estão sujeitos a problemas como disfunções no sistema endócrino e reprodutivo, além de distúrbios metabólicos. Diversos compostos químicos são capazes de interferir no metabolismo, entre eles, destacam-se os que estão presentes em hormônios, anti-inflamatórios, antidepressivos, hidrocarbonetos poliaromáticos e pesticidas.

A falta de efetividade no combate aos contaminantes emergentes preocupa os cientistas e acende o sinal de alerta na sociedade. "As estações de tratamento d’água (ETAs), basicamente, trabalham para retirar sua turbidez e torná-la potável. Elas têm uma capacidade limitada de remoção desses contaminantes, pois foram projetadas numa época em que não existia essa demanda", explica o docente. De acordo com o Instituto Trata Brasil, quase 35 milhões de brasileiros não têm acesso ao abastecimento de água tratada. Em 2016, uma em cada sete mulheres do País não tinha acesso à água, enquanto 7,5% das crianças e dos adolescentes não possuíam água filtrada ou vinda de fonte segura.

A ciência entra em cena Resag

Há algumas décadas, pesquisas têm chamado a atenção sobre os possíveis danos que os contaminantes emergentes podem causar aos recursos hídricos, fato que impulsionou o interesse da comunidade científica em busca de soluções para identificação, monitoramento e remoção dessas substâncias. No IQSC, o Laboratório de Desenvolvimento de Tecnologias Ambientais (LDTAmb) está envolvido nesse desafio, criando alternativas promissoras. "Diferentemente das tecnologias tradicionais, as quais amenizam o problema da poluição, mas não o resolvem, as pesquisas desenvolvidas em nosso laboratório se preocupam em realmente destruir os contaminantes. Não basta reduzirmos a concentração de determinada substância se ela ainda continua com sua função biológica ativa, podendo trazer algum perigo", afirma o professor Eduardo, que coordena o LDTAmb.

Uma das pesquisas desenvolvidas no Laboratório da USP é a de Maykel Marchetti, doutorando do IQSC. Após realizar um levantamento, o pesquisador descobriu quais eram os fármacos mais prescritos e consumidos no Brasil e, a partir dessa relação, determinou as quatro substâncias químicas mais prováveis de serem encontradas na água. São elas: paracetamol (analgésico), cetoprofeno (anti-inflamatório), diclofenaco (anti-inflamatório) e o ácido salicílico (utilizado no tratamento da acne). Com essas informações em mãos, Maykel desenvolveu um método analítico capaz de detectar e quantificar, simultaneamente, todos esses quatro fármacos em água e aplicou uma técnica para degradá-los, que funciona através de uma reação química envolvendo peróxido de hidrogênio (água oxigenada), oxalato de ferro e luz (LED). "Essa técnica nos permitiu fazer o tratamento da água em condições semelhantes às adotadas nas ETAs", explica.

No laboratório, o pesquisador testou o procedimento de degradação proposto. Após dissolver os quatro contaminantes em água, adicionou à solução o oxalato de ferro e o peróxido de hidrogênio. Em seguida, a água foi colocada dentro de um reator com LEDs, onde ficou por aproximadamente 25 minutos reagindo. "Nós utilizamos uma concentração de contaminantes até um milhão de vezes maior do que a encontrada nas águas e, mesmo assim, atingimos uma porcentagem de 95% de degradação. No entanto, vale ressaltar que isso não significa que eles foram totalmente removidos, mas sim transformados em outras substâncias que precisam ter sua toxicidade analisada", afirma o doutorando, que apresentou seu trabalho no 47º Congresso Mundial de Química da União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC), que aconteceu em Paris (França) entre os dias 5 e 12 de julho.

Resag Para validar seu método de detecção e quantificação dos fármacos, Marchetti estudou as águas superficiais de São Carlos, responsáveis pela metade do abastecimento do município, por meio do Córrego Espraiado e do Ribeirão Feijão. Durante um ano, o pesquisador coletou amostras mensais de água dos pontos de entrada e saída da estação de tratamento da cidade e, felizmente, não foi identificado nenhum dos quatro fármacos pesquisados. Contudo, um estudo realizado pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) em 2014 revelou, após três anos de análises, a presença de cafeína, paracetamol, atenolol e dos hormônios estrona e 17-?-estradiol no Rio Monjolinho. Embora ele não seja utilizado para abastecimento público, os pesquisadores se preocupam com a conservação dos recursos hídricos e a proteção da vida aquática.

Planeta afetado

Os contaminantes emergentes já se tornaram um problema global, tendo sido encontrados em dezenas de países, inclusive no Brasil. Em Campinas (SP), amostras de ácido salicílico, paracetamol e cafeína já foram identificadas no Córrego Anhumas. Além de atuar como um indicador de contaminação por fármacos, a cafeína pode causar, em altas concentrações, problemas aos peixes, como a diminuição da capacidade de locomoção e a morte de embriões. Outra substância encontrada em águas brasileiras foi o diclofenaco, confirmada no Rio Pinheiros, na capital paulista, e no Rio Paraíba, que banha o Estado paraibano. Em âmbito internacional, rios de países como Estados Unidos, Espanha, Suíça e Costa Rica já sofrem com a presença desses contaminantes.

O descuido quanto ao descarte irregular de remédios é uma das principais causas do aparecimento desse tipo de contaminante na água. Despejar produtos vencidos na pia ou em vasos sanitários, por exemplo, faz com que as substâncias cheguem até rios e mananciais. Embora a mudança de alguns hábitos seja essencial para não acentuar ainda mais o problema, causas naturais também contribuem para essa contaminação. Afinal, parte do remédio que tomamos não é metabolizada pelo nosso organismo, sendo eliminada via urina, fezes ou suor. Situação semelhante ocorre quando tomamos banho após a utilização de protetor solar, ocasião em que o produto é eliminado pelo ralo, podendo chegar tanto a águas superficiais como subterrâneas. Por sua vez, fármacos utilizados na agropecuária também são capazes de contaminar os recursos hídricos.

Segundo a última Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, realiza pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 71,8% dos municípios brasileiros não apresentavam políticas de saneamento e, em 48,7% deles, não havia órgão fiscalizador da qualidade da água. Já de acordo com o Atlas Esgotos: Despoluição de Bacias Hidrográficas, divulgado em 2017 pela Agência Nacional das Águas (ANA), menos da metade dos esgotos do País é coletado e tratado e apenas 39% da carga orgânica gerada diariamente no Brasil é removida pelas estações de tratamento de esgoto antes dos efluentes serem lançados em rios.

Fazendo o dever de casa

Ações para melhorar a qualidade da água não podem se restringir apenas aos cientistas. Segundo o Instituto Trata Brasil, mais de 3,5 milhões de brasileiros, nas 100 maiores cidades do país, despejam esgoto irregularmente, mesmo tendo acesso a redes coletoras. Pequenas atitudes, se feitas em grande escala, podem ajudar a evitar uma contaminação ainda maior.

Segundo o professor Eduardo Bessa Azevedo, comportamentos que contribuam para a manutenção dos recursos naturais devem começar dentro de nossas casas. Afinal, não existe o "jogar fora", pois, na verdade, tudo o que descartamos sempre irá para algum lugar, podendo gerar grandes prejuízos se feito de maneira impensada. Por isso, o docente faz um pedido: "Não descarte produtos em locais incorretos e evite usar água para o que não for necessário, como lavar a calçada. Se puder fazer limpeza a seco, priorize-a. As pessoas pensam que atitudes isoladas não trarão nenhuma melhora, mas imagine se todos resolvessem ajudar".

Preocupados com o futuro de nossa água, os cientistas da USP continuarão em busca de novas alternativas para combater os contaminantes emergentes e, sem dúvida, motivações não irão faltar. "É uma questão de saúde pública, e trabalhar no desenvolvimento de soluções para o problema nos dá a certeza de que estamos fazendo o nosso papel", finaliza Marchetti. Com informações da USP.

Fonte: Labnetwork. Publicado em 26 de julho de 2019. Disponível em: https://www.labnetwork.com.br/noticias/dificeis-de-remover-farmacos-cosmeticos-e-outros-compostos-contaminam-recursos-hidricos/

Crise da água afetará em breve 1/4 da população mundial

Da Índia e Irã ao Botsuana, há dezessete nações no mundo que já têm um estresse hídrico extremamente alto, o que significa que estão usando praticamente toda a água que têm disponível, de acordo com dados do World Resources Institute divulgados em 5 de agosto.

Resag Muitos desses países são áridos; alguns estão desperdiçando a pouca água que deixaram. Vários dependem excessivamente da água subterrânea que deveriam estar armazenando para uso pontual em casos de seca.

Nesses países há muitas cidades grandes e sedentas que tiveram escassez acentuada nos últimos tempos, incluindo São Paulo, Brasil; Chennai, Índia; e Cidade do Cabo, África do Sul, que em 2018 mal conseguiu superar o chamado "dia zero", quando toda a oferta estava a ponto de secar completamente.

Estresse hídrico em áreas urbanas com mais de 3 milhões de habitantes

Mais de um terço destas cidades têm um stress hídrico elevado ou extremamente elevado.

"É muito provável que vejamos mais dias zero no futuro", disse Betsy Otto, que dirige o programa global de água do World Resources Institute. "É uma imagem alarmante em muitas partes do mundo".

As alterações climáticas agravam este risco. À medida que os padrões de precipitação se tornam mais erráticos, o abastecimento de água torna-se mais instável. Ao mesmo tempo, como os dias estão ficando mais quentes, mais água evapora das reservas justamente quando há maior demanda por ela.

Locais em estresse hídrico muitas vezes têm uma dupla maldição: São Paulo, por exemplo, foi atingida por inundações um ano depois de passar por uma seca prolongada. Chennai teve inundações fatais em 2015; agora seus reservatórios de água estão virtualmente vazios.

A água subterrânea desaparece

A Cidade do México tem secado a sua água subterrânea tão rapidamente que está literalmente afundando. Daca, a capital de Bangladesh, depende de sua água subterrânea tanto para os residentes quanto para as fábricas de roupas que consomem água, por isso agora tem que retirar líquido de aquíferos a mais de 100 metros de profundidade. Os habitantes indianos de Chennai, acostumados a depender de águas subterrâneas, agora enfrentam o fato de que não há mais disponibilidade. Em partes da Índia e do Paquistão, os agricultores estão drenando aquíferos para cultivos com uso intensivo de água, como o algodão e o arroz.

Esgotamento do lençol freático Resag

O prognóstico: mais stress

Em 33 das cidades com mais de três milhões de habitantes (com uma população combinada de mais de 255 milhões de habitantes), pesquisadores do World Resources Institute concluíram que já existe um estresse hídrico extremamente elevado, o que tem implicações para a saúde pública e pode significar transtornos sociais.

Até 2030, espera-se que o número de cidades na categoria de estresse hídrico extremamente alto aumente para 45 cidades, com quase 470 milhões de pessoas afetadas.

Quando uma cidade ou país está usando praticamente toda a água que tem disponível, uma seca pode ser catastrófica. Em 2018, após uma seca de três anos, a Cidade do Cabo foi forçada a tomar medidas extraordinárias para racionar a água disponível em seus reservatórios. A grave crise só aumentou o problema em uma cidade cujos quatro milhões de habitantes competem com os agricultores pelos poucos recursos hídricos disponíveis.

Los Angeles está experimentando algo semelhante. A mais recente seca na cidade californiana terminou este ano, mas o abastecimento de água não acompanha a enorme demanda. Também não ajuda que haja uma tendência generalizada para que as pessoas tenham piscinas no quintal.

Em Bangalore, uma série de anos com pouca chuva exibiu a má gestão da água que a cidade indiana havia feito. Os muitos lagos que uma vez embelezavam a cidade e áreas circundantes foram obstruídos por edifícios ou tornam-se lixeiras. Já não servem mais adequadamente para armazenar água da chuva, como no passado, e logo abastecer a cidade. Assim, a metrópole tem de procurar cada vez mais longe água para os seus 8,4 milhões de habitantes; muito desse líquido é perdido ao longo do caminho.


A gestão da água precisa ser melhorada

As autoridades municipais podem combater perdas no sistema de distribuição de água. As águas residuais podem ser recicladas. A água da chuva pode ser recolhida e armazenada para quando faltar o recurso: lagos e zonas húmidas podem ser limpos e poços antigos podem ser restaurados. Além disso, os agricultores podem mudar de culturas com uso intensivo de água, como o arroz, para culturas mais eficientes do ponto de vista hídrico e adaptados ao local.

"A água é um problema local e requer soluções locais", disse Priyanka Jamwal, da Ashoka Trust for Research in Ecology and the Environment, com sede em Bangalore.

Fonte: Somini Sengupta e Weiyi CaiAug. Traduzido do espanhol. The New York Times. Publicado em 08 de agosto de 2019. Disponível em: https://www.nytimes.com/es/interactive/2019/espanol/ciencia-y-tecnologia/crisis-del-agua.html


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