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Boletim Especial Resag n° 31: Etiquetar a eficiência hídrica

Nas últimas décadas o debate sobre a distribuição e qualidade da água tem sido de grande destaque mundial. A distribuição geográfica desigual das reservas de água doce combinada à densidade populacional de cada continente coloca grande pressão sobre a retirada deste recurso do meio ambiente e sobre sua qualidade.

Selos de eficiência energética já bastante conhecidos
pelos brasileiros.

Em 2015 a ONU aprovou a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável, agenda que conta com 17 metas de desenvolvimento sustentável que vão desde a eliminação da pobreza até o combate à mudança climática, melhoria da educação, promoção da igualdade de gêneros, defesa do meio ambiente, desenvolvimento urbanosustentável e, como era de se esperar, objetivos em relação a água. Melhorar a sustentabilidade dos recursos hídricos é fundamental para as gerações atuais e futuras.

Segundo a ONU (2016), a escassez de água afeta a 40% de toda população mundial e a expectativa é que, caso não se tomem medidas de proteção e tratamento, este porcentual cresça nas próximas décadas. Os efeitos da mudança climática e o rápido crescimento urbano são fatores determinantes. Estimativas indicam que em 2050 cerca de 66% de toda população mundial resida em território urbano o que aumentaria substancialmente a demanda energética e hídrica. Ao mesmo tempo, hoje,mais de 80% das aguas residuais resultantes de atividades humanas são despejadas nos rios e mares sem nenhum tratamento.

Selos de eficiência hídrica:
exemplo de modelo utilizado
na Áustralia.

O setor residencial representa um papel crucial no consumo consciente deste recurso com o uso combinado de estratégias focadas em reduzir e/ou buscar alternativas eficientes ao consumo de água. A água consumida através de aparelhos internos e externos (por exemplo, chuveiros, vasos sanitários, máquinas de lavar roupa) representa uma parcela significativa do uso diário de água das famílias. Para estes consumos, há um grande potencial de redução através, por exemplo, da instalação de equipamentos quegeram uma importante economia.

Consequentemente, numerosas medidas para promover o consumo sustentável da água foram estabelecidas pelas administrações publicas. Nesse sentido, se há lançado mão de instrumentos baseados no escalonamento de preços e outras medidas não relacionadas diretamente ao preço, para atender a demanda residencial. No entanto, políticas de aumento de preço não são bem aceitas pela população e podem causar maiores danos a populações mais vulneráveis.

Classificar a eficiência: transparência e economia para o consumidor

Consoante a este cenário, sistemas de classificação de eficiência hídrica nas edificações e produtos têm ganhado a atenção de uma série de governos. Entre tais sistemas, estão: WELL na Europa (Water Efficiency Labelling), WELS na Áustralia(Water Efficiency Labeling and Standards) ou o Watersense criado pela U.S. Environmental Protection Agency (EPA).Estes sistemas de classificação permitem aos usuários e compradores identificar de maneira fácil e simples edifícios que têm melhores níveis de sustentabilidade e uso eficiente da água.

Os sistemas de etiqueta de eficiência podem ser obrigatórios ou, como em sua maioria, ainda voluntários, ou seja, opcionais ao proprietário ou desenvolvedor imobiliário que proporcione tal informação.

Impactos das etiquetas de eficiência especialmente no que diz respeito a água

Estudos indicam que etiquetas ecológicas nos imóveis aumentam as probabilidades de seus usuários utilizarem equipamentos com medidas de economia de água e energia. A partir do etiquetamento, há outros fatores de motivação associados, como:salário mensal dos residentes, o grau de estudos e conhecimento a respeito da conservação da água e da energia, relação de propriedade (residentes proprietários são mais propensos a instalar equipamentos com menor consumo de água e energia), tamanho da casa, idade (indivíduos mais jovens são mais informados a respeito das medidas de eficiência) e o tipo de casa (diferenças entre apartamentos, casas isoladas e casas geminadas).

Selos de eficiência energética já bastante conhecidos
pelos brasileiros.

Interessante investigação realizada por expertos de 4 países avaliou os efeitos das atitudes dos indivíduos e dos sistemas de etiqueta energética e hídrica em relação a escolha dos equipamentos residenciais e o consumo, além de relacionar o comportamento de conservação de energia e água.

O estudo reuniu informações de mais de 12.000 residências em 11 países da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico): Austrália, Canadá, Chile, França, Israel, Coréia do Sul, Japão, Holanda, Espanha, Suécia e Suíça. Dentro deste grupo de países todos possuíam sistemas de etiquetas de eficiência energética e três deles sistemas de classificação de eficiência hídrica (Austrália, Israel e Holanda).

Os entrevistados eram perguntados sobre seus hábitos de consumo de água e energia: adoção de dispositivos de economia de água/energia, a carga de consumo, suas considerações a respeito da eficiência no momento de comprar novos equipamentos (por exemplo, lavadoras de roupa e de louça) e sua consciência e conhecimento a respeito das etiquetas de eficiência hídrica e energética.

A conclusão foi que sistemas de classificação de eficiência confiáveis, quando combinados com a consciência e o conhecimento ambiental, têm consideráveis efeitos positivos para a instalação de dispositivos adicionais eficientes no consumo energético assim como no consumo hídrico nas residências.Resultados como este sugerem que campanhas de informação e instrumentos de incentivo destinados a eficiência energética e hídrica podem gerar benefícios duplos: relacionados à conservação do recurso natural que é a água e o controle de seu uso e demanda.

Etiquetar oferece ao consumidor mais transparência, domínio sobre seu consumo de recursos hídricos, melhoria na gestão econômica individual, além de múltiplos impactos positivos ambientais e de construir uma sociedade mais consciente. E o Brasil tem plenas condições técnicas para tornar-se também referência global no desenvolvimento de sistemas de classificação de consumo e etiquetamento da eficiência!

Estudos dereferência:

Dieu-Hang, T., Grafton, R. Q., Martínez-Espiñeira, R., & Garcia-Valiñas, M. (2017). Household adoption of energy and water-efficient appliances: An analysis of attitudes, labelling and complementary green behaviours in selected OECD countries. Journal of Environmental Management, 197, 140–150. https://doi.org/10.1016/j.jenvman.2017.03.070

ONU. (2016). Agua Limpia Y Saneamiento. Objetivo 6: Agua Limpia Y Saneamiento, 1, 2. Retrieved from:https://www.un.org/sustainabledevelopment/es/wp-content/uploads/sites/3/2016/10/6_Spanish_Why_it_Matters.pdf


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