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Volume total de Água

Cresce entre ambientalistas, técnicos, setor acadêmico e varios setores da sociedade civil a preocupação quanto à preservação da agua, recurso natural tão importante para todos nós e um direito da sociedade.

De acordo com dados do último  relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre o tema, o volume total de água na Terra é de aproximadamente 1,4 bilhões de km³.

Ao olharmos o planeta Terra (ou Planeta Água?) observamos a grande superfície coberta de água, o que corresponde a cerca de 2/3 da superfície terrestre. Desse volume total, 97,5% é água salgada de mares e oceanos e apenas 2,5% (~35 milhões de km³) é água doce, considerando que o volume total que está principalmente em águas subterrâneas e em geleiras. Com isso, somente 0,007% é água doce disponível para consumo, que pode ser encontrada em rios, lagos e na atmosfera.

Em comparação com outros países, o Brasil está em posição privilegiada no acesso ao insumo. Possui 12% de todas as reservas de água doce do mundo, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA).

Do volume total, ~70% (dos 12% de água doce no território brasileiro ) está concentrado na Região Amazônica; que possui o menor número de habitantes do país, inferior a 10% do total do País. Os restantes 30% são divididos entre as regiões Nordeste ( 3%), Centro-Oeste (15%), Sul (6%) e Sudeste (6%).

Esse percentual representa uma concentração significativa no Brasil do total de água doce disponível no mundo, o que traz a este país, rico em recursos hídricos, uma  responsabilidade ainda maior na gestão destes recursos.

Entretanto, existem muitos problemas que afetam a qualidade e a disponibilidade desse recurso vital a serem tratados, dentre os quais estão o crescente aumento do consumo, o desperdício e a poluição das águas superficiais e subterrâneas por esgotos domésticos e resíduos tóxicos provenientes da indústria e da agricultura, a distribuição desigual e a visível falta de saneamento.

O cuidado com esse recurso limitado que é a água demanda ações articuladas entre vários segmentos da sociedade, dada a multidisciplinaridade das várias áreas do conhecimento envolvidas.

Desenvolvimentos conjuntos e coordenados no País que considerem as múltiplas dimensões da sustentabilidade da água, como a ambiental, política, técnica, científica, social, ética, cultural, educativa, econômica (urbana, agricultura e indústria) e geográfica com a implementação de políticas ativas de desenvolvimento sustentável resultarão em melhores condições na preservação da água em seu sentido amplo, refletindo na qualidade de vida da população e principalmente no longo prazo - no futuro de nossa sociedade.

Todos e cada um de nós – cidadãos, políticos, industriais, pesquisadores, dentro de sua linha de ação, responsabilidade e possibilidade pode contribuir para preservar este recurso vital e valioso, que é a água, começando pelo consumo sem desperdício e evitando poluir. Neste sentido, é compromisso da RESAG fazer o que estiver ao seu alcance para contribuir de maneira concreta e efetiva.

Como disse Madre Teresa de Calcutá:

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota.”

Integração de esforços

Uma atuação integrada, que conte com a participação da sociedade em seus diversos segmentos possibilitará uma união de esforços para enfrentar essa questão.

A implementação de políticas e de infraestrutura que considerem as diferentes perspectivas existentes  na sustentabilidade responsável da água deve contar com a participação do governo e da sociedade, dentro de diretrizes que compatibilizem os interesses e perfil de cada parte.

Assim, uma interação entre pesquisadores e gestores públicos, ambientalistas, indústria e a população pode ser bastante útil ao tratamento estratégico desse tema, na otimização do aproveitamento desse recurso e no asseguramento da qualidade da água e do abastecimento.

Urbanização

Como mostram os especialistas, em países em desenvolvimento o processo de urbanização se dá sem o planejamento adequado para minimizar os impactos nos ambientes aquáticos situados ao redor desses centros urbanos e como resultado, a população passa a sofrer as consequências evidenciadas em problemas de contaminação da água de abastecimento e irrigação, inundações frequentes, deslizamentos de encostas, erosão do solo, etc.

Adicionalmente e não menos importante é o fato de que com a intensificação do grau de urbanização ocorre um aumendo na geração de resíduos, fato que demanda uma atenção específica na gestão e que provoca um grande impacto econômico e ambiental.

É preciso investir em estudos e na melhora da gestão, pois as práticas de reuso da água em diversos níveis e situações são ainda muito restritas. Essa questão deve ser alvo de ação em programas multidisciplinares e em educação geral.

Educação

Existem muitas ações que não são necessariamente dispendiosas que podem resultar em um impacto regional significativo, que dependem de treinamento e capacitação.

A adoção de medidas de uso e reuso racional de água na indústria e a utilização de melhores tecnologias visando o aumento da eficiência do uso da água nas edificações residenciais são exemplos de cuidados fundamentais que devem ser observados na gestão do uso da água.

Também essas ações podem ser direcionadas ao desenvolvimento de programas visando o aumento da conscientização da população sobre a importância do uso adequado da água e sua relação com a saúde e meio ambiente. Essa conscientização deve ser alcançada pela população em geral e pelos diferentes responsáveis por políticas publicas.a promoção desses treinamentos deveria ser pensada desde o início da formação escolar até níveis superiores de educação.

Treinamentos à população poderiam ser realizados localmente, envolvendo associações e comunidades de bairros. Ações como essas não demandam tantos aportes financeiros e podem refletir de forma expressiva na preservação desse recurso natural que é um direito de toda a sociedade.

Saneamento básico

Segundo a Pesquisa Nacional de Saneamento - PNSB 2008, pouco mais da metade dos municípios brasileiros (55,2%) tinham serviço de esgotamento sanitário por rede coletora, que é o sistema apropriado , marca pouco superior à observada na pesquisa anterior, realizada em 2000, que registrava 52,2%. A ausência da oferta do saneamento básico acarreta poluição dos recursos hídricos, trazendo prejuízo à saúde da população, principalmente o aumento da mortalidade infantil.

Tratamento de esgoto

Outro fator importante demonstrado por meio dos dados estatísticos é que a capacidade de tratamento do esgoto no Brasil ainda é muito aquém do ideal.

O relatório de Conjuntura Hídrica Ano 2012 da ANA revela que, em 2008, apenas 29,94% do esgoto produzido no país era tratado. “Os baixos índices de coleta e tratamento de esgotos contribuem para o agravamento dos problemas relacionados com a incidência de doenças de veiculação hídrica. Além disso, compromete a qualidade das águas superficiais, podendo inviabilizar o uso dos recursos hídricos”, dispõe o estudo da ANA.

Consumo e disponibilidade

Segundo a Academia Brasileira de Ciências, no decorrer do último século, o consumo de água dobrou em relação à população. Estima-se que 884 milhões de pessoas - o correspondente a 14% da população mundial - não tem acesso à água potável tratada e dois milhões e meio de pessoas - 38% da população do mundo - não têm sistema de água e esgoto adequado. Até 2030, dois terços da população mundial vão estar vivendo em cidades, o que causará um dramático aumento na demanda por água nas regiões urbanas.

Consumo em países mais pobres – Unicef, Unesco e OMS

As informações a seguir são dados da Unicef (2008) e da Unesco (2006), entidades que junto com a Organização Mundial de Saúde (OMS) avaliam que o consumo de água individual diário varia de 171 litros na América do Sul, passando por 200 a 300 litros na maioria dos países europeus e chegando a 575 litros nos EUA. No entanto, em torno de dois milhões de pessoas vivem em favelas e assentamentos, sofrendo com a falta de estrutura sanitária e de acesso à água limpa. Nos países em desenvolvimento sem sistema de água encanada, o consumo é extremamente menor, especialmente dadas as grandes distâncias a serem percorridas para se obter e transportar a água.

Os padrões internacionais estabelecidos por estas organizações sugerem um consumo mínimo de 20 litros diários de água por pessoa, disponível a no máximo um quilômetro de casa. Isso seria o mínimo necessário para beber e fazer a higiene pessoal. Se for considerada a água para banho e para limpeza doméstica, a quantidade mínima sobe para 50 litros por dia. Grande parte da população mundial não tem acesso esse mínimo necessário, o que mostra que a questão da água está diretamente ligada à questão da pobreza.

Disponibilidade Hídrica no Setor Agrícola – Dr. Henry Vaux

Dr. Henry Vau é professor emérito de Recursos Econômicos na Universidade da Califórnia, em Berkeley, e especialista nos aspectos econômicos do uso agrícola da água, mercado e políticas de água.

Em evento realizado pela Academia Brasileira de Ciências em agosto de 2012, relacionado com “Água para o crescimento econômico e o desenvolvimento” o Dr Henry Vau fez uma análise sobre o recurso Agua, que é apresentado a seguir.

Como especialista, alertou que a escassez de água é uma tendência a se intensificar. Em 1995, de 29 países com pequena disponibilidade de água, 18 apresentavam escassez de água, e 11, condições de estresse hídrico. "A previsão para 2025 é que 48 países enfrentem condições de pequena disponibilidade hídrica. Desses, 29 estarão em condições de escassez e 19 apresentarão estresse hídrico", informou.

Adicionalmente mencionou que, uma das consequências mais alarmantes da escassez é o aumento em nível global da vulnerabilidade do setor agrícola, alavancado pelo crescimento da demanda.

Dentro desse cenário, comenta que em termos de desenvolvimento econômico, o critério básico para a medida de produtividade é medido através do PNB e da produtividade em termos de aumento com menos uso de água.

Dessa maneira, o aumento de produtividade agrícola fica condicionado ao desenvolvimento das atividades técnicas, gerenciais e sociais, como a promoção da gestão adequada dos sistemas de plantio e irrigação; um melhor planejamento das parcelas agrícolas, adotando culturas adequadas às condições locais e metodologias de irrigação compatíveis com a disponibilidade de água; contabilização das características de variação de produtividade; programação adequada do plantio, visando uma produção agrícola significativa.

"O aumento da produtividade agrícola depende de atitudes e fatores diversos, entre os quais planejamento e gestão adequados dos sistemas agrícolas; da avaliação da variabilidade da produção; da programação adequada das práticas de plantio e colheita; e de uma melhor compreensão do contexto social e cultural local", concluiu. 

Vera Maria Lopes Ponçano

Coordenadora Geral – Resag

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