Resag

Esgoto tratado reduz índice de doenças no Triângulo Mineiro

Com praticamente 100% de esgoto tratado, Uberlândia e Uberaba, os dois municípios mais populosos do Triângulo Mineirose destacam entre as dez cidades com melhor saneamento básico do país. Investimentos públicos realizados ao longo dos últimos 15 anos fizeram com que indicadores como distribuição, tratamento e coleta e água e esgoto disparassem em relação à média nacional.

Atualmente, Uberaba e Uberlândia possuem, respectivamente, 98,5% e 98,7% do esgoto coletado e tratado. O serviço só não chega às regiões rurais mais remotas dos municípios, que são atendidas, em geral, por fossas sépticas. Para seter uma ideia, apenas 44,92% dos esgotos em todo o país passam por tratamento. Na prática, significa que 55% desses resíduos de água contaminada são lançados diretamente na natureza, principalmente nos rios e nas águas do mar. Esse volume corresponde a 5,2 bilhões de metros cúbicos por ano ou quase 6 mil piscinas olímpicas de esgoto por dia..

As informações são do Instituto Trata Brasil, que produz anualmente o ranking nacional das maiores cidades do país com base nos dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS) do Ministério das Cidades. A média das 100 maiores cidades brasileiras em tratamento dos esgotos foi de 50,26%. Apenas dez delas tratam acima de 80% seus esgotos, segundo o ranking organizado pela entidade, que reúne empresas e especialistas que atuam no setor.


Reflexos na saúde

O acesso ao saneamento básico está diretamente relacionado à redução de internações por infecções gastrointestinais na rede hospitalar do Sistema Único de Saúde (SUS).Em 2013, por exemplo, foram mais de 340 mil internações em todo o país. De acordo com o Instituto Trata Brasil, citando dados oficiais, se 100% da população tivessem acesso à coleta de esgoto, haveria redução, em termos absolutos, de 74,6 mil internações em todo o país por ano, uma redução de 21%. Em média, o custo de uma internação por infecção relacionada à contaminação da água é de R$ 355,71 por paciente. Em 2015, o custo das horas não trabalhadas por pacientes afastados do emprego alcançou R$ 872 milhões. As despesas hospitalares com internação, no mesmo ano, foram de R$ 95 milhões, somente no SUS.

Considerando as projeções para o avanço da cobertura de saneamento básico até 2035, entre despesas com internação na rede pública e redução dos afastamentos de trabalho, a economia em saúde deve alcançar R$ 7,239 bilhões em todo o país.

Em Uberlândia, que tem uma população de 700 mil habitantes, as notificações de doenças gastrointestinais - relacionadas à qualidade da água - são praticamente inexistentes. "Não temos mais uma busca ativa, no pronto-socorro da cidade, por doenças gastrointestinais causadas por questão alimentar ou contaminação da água. Os registros, em geral, estão associados a causas virais, que ocorrem de forma sazonal, por razões climáticas", explica o médico Clauber Lourenço, assessor técnico da Secretaria Municipal de Saúde.

Segundo ele, doenças gastrointestinais não estão nem entre as 100 principais doenças registradas no prontuário eletrônico da Secretaria de Saúde ao longo de todo o ano passado. A leptospirose, doença infecciosa transmitida pela água contaminada por urina de ratos e outros animais, normalmente associada à falta de saneamento básico adequado, vem decrescendo ao longo dos anos. Em 2015, por exemplo, foram confirmados quatro casos, contra apenas dois em 2017. Este ano, até o início de setembro, nenhum caso da doença havia sido registrado no município. Em Uberaba, de acordo o DataSUS, apenas um caso de leptospirose foi notificado entre 2015 e 2017, número considerado extremamente baixo para uma cidade de 325 mil habitantes. Um único caso de hepatite A foi registrado em Uberlândia, no ano passado, contra quatro casos em 2015, segundo estatísticas da Secretaria Municipal de Saúde. A doença produz uma inflamação no fígado causada por um vírus presente em água contaminada por fezes. "Já não temos mais a ’doença do jeca Tatu’ por aqui", brinca Clauber Lourenço.

Ele pondera, no entanto, que por ser uma cidade-polo, Uberlândia atrai para o sistema público de saúde um contingente populacional muito superior ao número de residentes no município e que, por isso, não é possível estimar uma economia nos gastos do setor a partir da redução de doenças relacionadas à cobertura de saneamento básico na cidade.

"Antes era água correndo na rua, esgoto a céu aberto e a gente via muito mais doença", afirma a doméstica Aurelina Alves, mãe de dois filhos e moradora do conjunto Celebridade, periferia de Uberlândia. O bairro, onde vivem cerca de 600 famílias, uma ocupação que só foi regularizada em 2013, foi uma das últimas regiões da cidade a receber investimentos em infraestrutura de abastecimento de água e coleta de esgoto. "De lá para cá melhorou muito, principalmente após a chegada do asfalto e do esgoto", acrescenta.

"Quando chovia, sempre tinha enchente", relembra Walisson Ribeiro, morador do bairro. Segundo ele, além do ambiente propício para proliferação de doenças, a disputa pela água agravava a violência entre os moradores da região.


Despoluição de rios

Ao longo dos anos 1980, o ribeirão Conquistinha, um dos três mananciais que abastecem a população de Uberaba, começou a viver um processo profundo de transformação, segundo Renato Muniz, geógrafo, professor universitário e produtor rural na região. "Esse ribeirão tornou-se um esgoto a céu aberto cruzando nossa propriedade, que fica a 15 km no centro de Uberaba. Tivemos que barrar o acesso dos animais ao córrego, ocorreu um aumento de vetores, como mosquitos, pernilongos e borrachudos, além do acúmulo de uma grande quantidade de lixo, principalmente após as cheias, que deixavam um rastro de plástico, móveis, resíduos em geral", relata Muniz. O córrego, segundo ele, passou a apresentar um forte mau-cheiro e uma espessa camada de espuma. O professor lembra que a situação era exatamente a mesma no Rio Uberaba, que abastece a maior parte da população local.

A poluição só começou a ser revertida a partir dos anos 2000, com a instalação da primeira das três Estações de Tratamento de Esgoto (ETE) do município. Na unidade Francisco Velludo, às margens do Rio Uberaba, são tratados 75% do esgoto urbano, um volume que representa o consumo de cerca de 255 mil pessoas. Ao chegar na estação, o esgoto passa por uma série de etapas de limpeza da água contaminada, que inclui o uso de bactérias que fazem uma espécie de "digestão" da matéria orgânica presente no esgoto, reduzindo sua contaminação em mais de 60% apenas nessa fase.

Uma outra etapa da depuração separa ainda parte da massa orgânica, incluindo o lodo. Ao final do processo, o índice de limpeza da água é aproximadamente 90%, superior aos limites estabelecidos pelo governo federal. Só então a água tratada é devolvida ao rio. Outras duas ETEs complementam o tratamento do esgoto em Uberaba.

Aos poucos, ao longo dos últimos 15 anos, há uma percepção de melhora na poluição dos rios, diz Renato Muniz. "Não diria que está 100%, porque a fauna dos rios, principalmente os peixes, ainda não retornou aos níveis anteriores, mas melhorou bastante. Pouco a pouco esses córregos que abastecem a cidade vão passando por esse processo de limpeza", afirma.

Em Uberlândia, o Rio Uberabinha, que corta a cidade, foi praticamente despoluído ao longo da última década, com a consolidação das redes de coleta e tratamento de esgoto, que estão praticamente universalizadas para o conjunto da população que vive na área urbana. A medida permitiu que os habitantes voltassem a desfrutar até mesmo de banhos no rio, como ocorre, por exemplo, no Praia Clube, um dos maiores da América Latina. O rio atravessa toda a extensão de mais de 300 mil metros quadrados do local e está entre os atrativos preferidos de seus frequentadores. O esgoto tratado na estação que leva o nome do rio da cidade alcança índices de limpeza acima de 90%. "Constatamos que não há mais mortandade de peixes no rio", explica Marcelo Costa de Araújo, gerente de tratamento de esgoto da ETE.


Modernização e investimentos

À Agência Brasil, o diretor-geral do Departamento Municipal de Água e Esgoto (Dmae) de Uberlândia, Paulo Sérgio Ferreira, explica que atingir o nível de universalização do saneamento básico na cidade foi resultado de um longo processo de investimento, desenvolvido no decorrer de décadas e que envolveu diferentes administrações municipais. Segundo ele, anualmente, são investidos cerca de R$ 40 milhões em obras e equipamentos.

"Eu diria que foi uma decisão da cidade [priorizar o saneamento]. Além de assegurar o direito da população, de ter acesso à água tratada e tratamento de esgoto, não importa se rico ou pobre, isso trouxe um diferencial econômico importante para Uberlândia. A cidade passou a ser muito atrativa para investimentos na área de indústria e do comércio justamente porque garante saneamento básico completo. Cada vez mais, as decisões empresariais de investimento se pautam por questões ambientais estruturantes como essa?.

Em uma cidade que registra, segundo as autoridades, a regularização de cerca de dez loteamentos urbanos por ano, o futuro também está sendo desenhado. Com as obras da estação de captação de água Capim Branco, que tem investimentos de R$ 300 milhões, Uberlândia poderá abastecer 1,5 milhão de pessoas, que é mais do que o dobro da população atual.

Segundo Luiz Guaritá Neto, presidente do Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba (Codau), desde 2013, a cidade já investiu R$ 150 milhões na manutenção e desenvolvimento de todo o sistema de abastecimento de água e tratamento de esgoto. "A gente aproveitou os financiamentos públicos existentes, principalmente os federais, ao longo dos últimos anos", revela.

O que falta para que outras administrações municipais possam deslanchar nessa área, na visão de Guaritá Neto, é a capacidade de elaboração, gestão e desenvolvimento de projetos. Ele também celebra o fato de Uberaba e Uberlândia manterem sob gestão pública direta os serviços de saneamento das cidades. Dos dez municípios com melhor saneamento do país, apenas as duas cidades mineiras e São José dos Campos (SP) mantêm departamentos e autarquias totalmente públicas na área. Nas demais cidades, o serviço é prestado por empresas privadas.

"A gente demonstra que é possível desenvolver uma gestão pública profissional, dando prioridade para o atendimento dos nossos clientes, que é a própria população", argumenta. E cita, por exemplo, medidas como o aperfeiçoamento dos serviços de atendimento ao público, que conta com uma moderna loja física no centro da cidade, onde são realizados atendimentos de ligação de água em residências e negociação de pagamentos em atraso. Outro serviço de busca ativa faz contato antecipado com clientes com débitos em atraso para evitar o corte do serviço. "Na maioria dos casos, o cliente nem lembra que a conta já venceu ou que tem algum atraso, e o pagamento é efetivado. Reduzimos de forma significativa a inadimplência", afirma o presidente do Codau.

Fonte: Agencia Brasil, setembro de 2018.


Madri gasta 7,4% menos água que em 2007, com 425.500 habitantes a mais

A principal causa da poupança é a detecção de vazamentos, que agora perderam 3,2%, metade dos quais em 2010

A Comunidade de Madri consome 7,4% menos água do que há uma década, com uma população 7% maior. No ano passado, a região gastou 504,2 hectómetros cúbicos, menos 40 do que em 2007, quando atingiu os 544,3. E isso apesar do fato de que a população cresceu nestes dez anos em 425.495 habitantes. A principal causa da poupança é a detecção de vazamentos na rede de abastecimento de água potável, que na região tem uma extensão de 17.556 quilômetros. O volume de água que é perdido agora é de 3,2% (16 hectómetros cúbicos por ano), um dos mais baixos em Espanha e metade em comparação com 2010.

A manutenção da rede de abastecimento implica, segundo dados do Canal de Isabel II, a substituição anual de 200 quilômetros de tubulações. O uso de água recuperada, que passou de 214 m³ (hm³) em 2011 para os atuais 588, também teve impacto na queda do consumo. "É um resultado espetacular que é devido à combinação de muitos fatores trabalhados a longo prazo. A sustentabilidade de Madri depende disso ", diz Francisco Javier Fernández Delgado, vice-diretor do Telecontrol no Canal. Combater vazamentos é "uma luta sem fim" e o número atual é "difícil de abaixar", diz ele.

Uma das armas desta batalha é a substituição de tubulação a longo prazo, apesar de ser "limitada pela concessão de licenças de construção". Para determinar quais têm que mudar, explica Fernández, analisam e cruzam dados acumulados há mais de 20 anos, como qual tipo de quebra de tubo mais facilmente, seu diâmetro ou sua idade, o que permite calibrar o risco e a probabilidade de danos . Os primeiros que são alterados são os que causam mais perdas e danos.

O pico histórico de consumo na Comunidade foi registrado em 2005 com 610,1 hm³, longe da estimativa para 2018. Até agora, neste ano, o povo de Madri consumiu 273,9 hm³, 6,2% a menos que em 2017. O consumo acumulado na região desde o início do ano hidrológico, em 1º de outubro, também é 3,1% menor que o anterior.

Em julho passado, após uma primavera especialmente chuvosa, os madrilenos consumiram 50,7 hm³ de água: 2,1% menos que no ano passado, e o menor consumo para um mês de julho registrado por 20 anos. . "Procurar por mais água natural é algo que não desistimos, mas não contamos com isso porque não existe. Nós recuperamos a água ", diz Francisco Javier Fernández Delgado. A cada ano, os novos municípios lançam mão do reuso para usos industriais e irrigação de parques. "Estamos agora em mais de 600 quilômetros de rede de água recuperada entre a capital e a área metropolitana".

Outro elemento-chave na economia de água é a política tarifária, dividida em três blocos de acordo com o consumo, de menos para mais. Quem faz um consumo responsável é mantido um preço razoável e a taxa sobe de acordo com a despesa. "Se você estiver no terceiro bloco no verão, poderá pagar mais que o dobro da taxa normal", esclarecer as fontes do Canal. "Em 2006, esses blocos foram provavelmente reduzidos devido às piscinas, que foram preenchidas e depois jogadas fora, de modo que é mais barato comprar produtos químicos e uma estação de tratamento e que é mais barato mantê-la do que descartá-la." Um litro de água no primeiro bloco custa ? 0,001486 (sem imposto).


13% de água

O Canal de Isabel II representa aproximadamente 13% do setor de gestão de água urbana na Espanha. Para ter água em qualquer época do ano, ela deve ser coletada e armazenada. O Canal tem 14 reservatórios com capacidade de armazenamento de 946 hectómetros cúbicos.

A transformação da água natural em água adequada ao consumo é realizada em 14 estações de tratamento de água potável (ETAP). A empresa, responsável pelo ciclo integral da água da Comunidade, tem um milhão e meio de clientes com contador e contrato e a fraude "não chega a 0,8%".

Outra técnica que eles usam - "complexa e de mais curto prazo" - é a implementação de gerenciamento inteligente de pressão. Para fazer isso, eles isolam áreas da rede e colocam instrumentos de medição para controlar a pressão, de modo que a saída de água que chega ao usuário seja otimizada sem que o usuário perceba. O Canal possui uma rede dividida em mais de 600 setores divididos em trechos entre 20 e 60 quilômetros. 70 deles possuem equipamentos de medição. Com estes sensores podem reparar vazamentos "mesmo antes de quebrar". "São tecnologias bastante emergentes, ainda em teste. Na próxima década vai começar a funcionar muito bem ", explica Fernández.

Fonte: El País España, traduzido do espanhol, agosto de 2018.


Berlim repensa seu plano de gerenciamento de água devido a mudanças climáticas

As alterações climáticas e o aumento da população fazem com que Berlim repense o seu plano de gestão da água. Um 2018 excepcionalmente quente e seco tornou o assunto ainda mais urgente

Jens Feddern tem um copo de haste longa com água mineral na central de abastecimento de agua de Wuhlheide, a leste de Berlim. Cheira o líquido e toma um gole. A água nesta parte da cidade tem um caráter distinto: borbulhante e fresco. Em outros distritos, tem um sabor terroso. Jens Feddern é algo como o melhor sommelier de água em Berlim.

O engenheiro trabalha para a empresa de abastecimento de água da capital alemã, Berliner Wasserbetriebe (BWB), desde 1987, e atualmente é diretor da seção de fornecimento. A água de Wuhlheide é bombeada de uma profundidade de 40 metros. Berlim tem um total de nove centrais hídricas como esta.

A BWB fornece cerca de 550.000 metros cúbicos (o equivalente a 220 piscinas olímpicas) de água diariamente para cerca de 3,7 milhões de berlinenses. Nos dias quentes de verão, o consumo dobra facilmente, à medida que os moradores da cidade usam mais água para tomar banho e tomar água.

Normalmente, esses períodos anormalmente quentes e secos são geralmente curtos o suficiente para que os poços só precisem operar em alta capacidade por quatro ou cinco dias. Mas em 2018 a situação foi diferente. As chuvas são escassas desde fevereiro e as temperaturas superaram a média usual desde abril na capital alemã.

"O sistema nunca experimentou algo semelhante e não é feito para tal situação", diz Feddern. No passado, o serviço de água era um "velocista" por alguns dias quentes por ano. Agora você tem que ser um "corredor de longa distância" e manter o ritmo por mais tempo.

Por enquanto, a concessionária manteve sua resiliência, que se deve principalmente aos investimentos na rede de suprimentos, à gestão cuidadosa e a uma equipe experiente, de acordo com a Feddern. Mas "também é em parte devido à sorte", acrescenta ele.

Sorte que os canos não foram quebrados ou que os poços resistiram às semanas de pressão, bem como que não houve escassez de eletricidade. Mas, se longos e quentes verões se tornarem mais comuns, a infraestrutura da cidade conseguirá acompanhar o ritmo?


Verões mais secos, mais quentes e mais longos

A oeste de Berlim, Jörg Riemann segue o tempo de seu computador. Anteriormente, secas como esta levariam à morte por inanição, mas a industrialização atenuou esses efeitos, ele explica, lembrando a última vez que uma seca de verão teve um impacto direto na Alemanha. Foi em 1976.

"Na antiga República Democrática acabava a bebida", diz o chefe do Wettermanufaktur, uma empresa que fornece previsões para ajudar as cidades preparar para neve, gelo, secas ou outras condições meteorológicas extremas.

Os conceitos de adaptação parecem urgentemente necessários. O período entre abril e agosto de 2018 será lembrado como o mais ensolarado, seco e quente desde que os registros na estação meteorológica Potsdam começaram em 1893. De acordo com Wettermanufaktur, a combinação de fatores é muito rara e só ocorre a cada 200 a 400 anos.

Desde o início da primavera, a Alemanha tem estado sob a influência de um "padrão de tempo seco leste", caracterizado pela aridez, independentemente da temperatura. Por agora, sem fim à vista, Riemann, e acrescenta que os últimos anos mostraram uma "tendência a extremos" como esses.


A conexão com o clima

A mudança climática é a culpada? Primeiro de tudo, é o clima, de acordo com Riemann. Os pesquisadores não podem chegar a conclusões com base em um único ano, mas têm que observar as tendências de longo prazo por décadas. No entanto, estudos recentes ligaram a seca europeia ao aquecimento global.

Uma coisa é certa: a combinação de sol recorde este ano e a evaporação resultante, juntamente com a falta de chuvas e altas temperaturas por um longo período de tempo, têm causado condições anormalmente secas no chão e uma diminuição significativa na o nível das águas subterrâneas.

"Estamos significativamente abaixo do nível que deveríamos ter", diz Feddern, uma chuva constante ajudaria.

No entanto, Berlim não está em perigo de ficar sem água, porque dois terços da sua oferta vem de um "sistema de filtração ribeirinho", em que a água se filtra através do solo de vários rios e lagos da cidade.

Num verão extraordinariamente quente e seco, quando os rios têm menos fluxo, Berlim tem a possibilidade de represar a água através de vários reservatórios. Isso aumenta artificialmente o volume de água, aumentando assim os níveis de água subterrânea.

No entanto, enquanto isso pode parecer bom para a população da capital alemã, não é para a vida aquática, de acordo com Werner Kloas, chefe do Departamento de Ecofisiologia e Aquicultura do Instituto Leibniz de Ecologia de Água Doce e Pesca Interior, Berlin.

"O problema é que o peixe não consegue sair", explica ele à DW. "Temos corpos d’água demais controlados ou represados", esclarece.

O calor diminui a capacidade da água de absorver oxigênio. Segundo Kloas, a vida aquática da cidade já está sofrendo. Da mesma forma, se as barragens forem usadas, o fluxo é retardado, dificultando ainda mais o fornecimento de oxigênio.

Isso pode levar à morte de animais, reduzindo assim a biodiversidade em geral. Como solução para o problema, Kloas sugere a construção dos chamados sistemas de transferência de peixes, como, por exemplo, escadas de peixes, que permitem a mobilidade dos animais apesar da retenção de água.


Assegurando o futuro do abastecimento de água de Berlim

De acordo com BWB, em muitas de suas plantas aquáticas há uma alta biodiversidade e medidas para proteger os animais que vivem lá, como lontras e rãs. Jens Feddern diz que está trabalhando com o Conselho da Cidade no "Plano Diretor da Água" para garantir que as torneiras não fiquem sem agua no futuro.

Atenção especial será dada ao crescimento populacional da cidade e à questão sobre a construção de novos poços. Eles também estão considerando se a rede de tubulações da cidade é adaptável o suficiente para lidar com o calor extremo ou a chuva e se a capacidade do sistema hidráulico de Berlim deve ser aumentada.

O BWB também está coletando e analisando dados. O objetivo é descobrir onde investir para poder reagir melhor em situações extremas. O verão de 2018 pode ter sido "excepcional", diz Feddern, mas nos últimos anos está claro que "algo mudou".
Fonte: Jornal DW, traduzido do espanhol, setembro de 2018.


A inesperada recuperação ambiental de um rio de Madrid

O processo de renaturalização do rio Manzanares torna-se um êxito ecológico

Uma garça branca com pernas negras caça no meio do rio Manzanares. Alheia ao barulho das pessoas andando a 20 metros de distância, ela olha para a água e espera por sua presa. Imóvel. Um rouxinol bastardo emite cinco sons e voa. Há cerca de oito mais atrás. Alguns metros adiante, na margem, aparece outro pequeno pássaro, um wagtail branco. Parece observar uma família de patos que acaba de passar as águas transparentes, com cerca de 30 centímetros de profundidade, desse rio que atravessa a capital de Madri por 7,5 quilômetros. Está ensolarado e há vida dentro do rio e ao redor dele.

"O projeto de renaturalização, em primeiro lugar, consistiu em abrir todas as comportas e ver como o rio reagiu. E como é um canal muito amplo para a água que transporta - 40 metros de largura e quatro metros de altura -, reagiu criando ilhas e bancos. Nas ilhas, a vegetação natural cresce por sua conta e risco. São quase todas espécies autóctones, as sementes foram trazidas pelo próprio rio ", explica Santiago Martín Barajas, porta-voz do Ecologistas em Ação. Engenheiro agrônomo por profissão, este atleta de 56 anos de Teruel faz parte da Associação Ecológica desde os 17 anos, lutou contra tudo e já lutou com todos. Se apresenta na Puente del Rey, com uma companheira inseparável: uma pequena câmera que ele tira do bolso a cada cinco minutos. Enquanto caminha, ele tenta capturar tudo. E se interrompe constantemente. "Olha, aqueles que são em forma de charuto, entende? É isso mesmo ", explica ele.A renaturalização do Manzanares mudou o selo de Madri a tal ponto que surpreendeu tanto os moradores quanto os estrangeiros. Nem políticos, nem ecologistas nem vizinhos esperavam uma tal explosão da natureza. A flora e a fauna surgiram a uma taxa tão forte quanto incomum e em dois anos elas encheram o leito de 50 espécies de aves, centenas de peixes e 2.000 espécimes de árvores nativas que não eram vistas há décadas naqueles 7,5 quilômetros de este rio que nasce na Serra de Guadarrama, no norte, e termina após 92 quilômetros, no rio Jarama, no município de Rivas-Vaciamadrid. A renaturalização tem sido um sucesso ambiental.

Estes charutos, as aeas, são intercaladas com diferentes tipos de árvores, com seus tons verdes correspondentes.

Algumas delas têm agora nove metros de altura. "Elas estão saindo de todos os gráficos de crescimento. Pensamos que algo assim aconteceria, mas não tão depressa ou tão bem. Nós pensamos que isso aconteceria em cinco ou sete anos, não agora, em dois ou três. Nem esperávamos que muitas árvores nasceriam em sua terceira primavera ?.

A vegetação explodiu. Do ponto de vista ambiental, o rio criou um elemento de conexão entre a montanha, o parque regional da bacia de Manzanares e o parque regional do sudeste. E isso funciona como um corredor ambiental, além do próprio ecossistema. Um sucesso que nem a Câmara Municipal de Madri nem a Ecologists in Action, organização que propôs o projeto em 2015, antecipou. "Dentro do governo, muitas pessoas não acreditaram em nós", confessa Martín Barajas. Acredite ou não, o fato é que a área de Meio Ambiente deu luz verde há dois anos para levantar as portas de todas as barragens que seguravam a água do rio desde 1955. "Parecia um impasse porque queriam grande, como o Tamisa ou o Sena. O problema é que temos o fluxo que temos. O que eles fizeram foi represar o rio e como resultado no verão teve cheiro ruim e estava cheio de mosquitos. E não era um rio, foi uma sucessão de piscinas fedorentas. "

Hoje, diante do rio limpo e renaturalizado, os cidadãos comemoram o retorno da natureza em meio à cidade.
Fonte: El País España, traduzido do espanhol, setembro de 2018.


Resag
Avenida Paulista, 2.200 - 9º Andar, CEP 01310-300
Consolação, São Paulo - SP - Brasil
Tel.: +55 11 3283 1073
C2013 Resag - Todos os direitos reservados
Produzido por BRSIS