Resag

Boletim nº 25

Leia estas notícias:

1- Saudação especial

2- Microplásticos contaminam água da torneira mundo afora (DW)

3- Descoberta "preocupante" revela partículas de plástico em garrafas de água de11 marcas diferentes (traduzida da BBC Espanha)

4- Quanto custa a água no Brasil? (DW)


1 - Saudação especial

No último dia 29 de março, a Resag recebeu uma bonita mensagem de despedida de José Luiz Amálio da Silva, que se aposentou após quase 40 anos de trabalho na Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Em mensagem dirigida à equipe Resag, José Amálio afirmou querer "expressar sua alegria em ter acompanhado o projeto Resag, coordenado com tanta competência, projeto este da maior importância para o País e para o Planeta Terra. A questão da água é vital e passa por grandes dificuldades". Disse ainda haver "acompanhado o profissionalismo e competência do trabalho de toda a equipe Resag" e finalizou: "Vocês são muito importantes para a sociedade brasileira".

José Amálio, Analista sênior de projetos da Finep, gerenciou dezenas de projetos, dentre os quais o Programa de Empreendimentos de Base Tecnológica (Incubadoras e Parques Tecnológicos), Desenvolvimento da Coleção IBSBF como Centro de Recursos Biológico de Fitobactérias, Consolidação do Laboratório Multiusuário de Nanotecnologia - LABNANO, Diretrizes Projetuais de Dispositivos de Detenção e Aproveitamento de Água de Chuva em Edificações e Obras de Infraestrutura Urbana de Goiânia (GO), atuou na Chamada Pública MCT/FINEP - Pré-Sal Cooperativos ICT-Empresas e no âmbito das Redes Sibratec. José Amálio, casado com Suely Branco, também da Finep e importante parceira da Resag, se aposentam juntos.

A ambos a Resag agradece a seriedade, compromisso e vocação para servir a sociedade brasileira. Desejamos felizes anos na nova fase da vida!



2 - Microplásticos contaminam água da torneira mundo afora

Fibras de plástico invisíveis estão presentes não apenas nos oceanos, mas também na água potável usada por bilhões de pessoas, aponta estudo. De onde vêm essas partículas e como podem afetar a saúde humana?

Em média, 83% de amostras coletadas nos cinco continentes contêm plástico, aponta estudo.

De Nova York a Nova Déli, fibras de plástico microscópicas estão saindo junto com a água da torneira, aponta uma pesquisa da Orb Media, uma redação de notícias digital e sem fins lucrativos, baseada em Washington.

"Isso é ruim. Ouvimos muitas coisas sobre câncer", diz Mercedes Noroña, de 61 anos, após saber que uma amostra de água de sua casa, próxima a Quito, no Equador, contém fibras plásticas. "Talvez eu esteja exagerando, mas eu tenho medo das coisas que vêm na água."

Pesquisas recentes mostraram como os microplásticos poluem nossos oceanos, fontes de água doce, o solo e o ar. Esse estudo é o primeiro a revelar plástico na água da torneira da qual bilhões de pessoas dependem em todo o mundo.

As novas descobertas são um alerta, diz Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz de 2006. "Isso deve nos afetar. Nós vemos o nó ficando mais apertado ao redor do nosso pescoço", comenta.

Para o estudo, mais de 150 amostras de água da torneira foram coletadas em cidades localizadas nos cinco continentes. Em média, 83% continham plástico. Se as fibras sintéticas estão na água da torneira, elas provavelmente estão também em alimentos, como pão e comida para bebê.

Não está claro como as fibras plásticas entram na água da torneira ou quais seriam os riscos disso. Especialistas suspeitam que elas venham de roupas sintéticas, tapetes ou estofamentos.

Impacto nos animais e seres humanos

Especialistas temem que, quando consumidas, as fibras plásticas possam transportar toxinas do meio ambiente para o corpo humano. O pesquisador Richard Tompson, da Universidade de Plymouth, diz que em estudos com animais "tornou-se claro que o plástico liberaria esses produtos químicos - e que, na verdade, as condições no intestino facilitariam uma liberação bastante rápida".

Dados existentes sobre como o plástico afeta a vida selvagem são motivo de preocupação, aponta Sherri Mason, pioneira da pesquisa sobre microplásticos que supervisionou o estudo da Orb.

"Se eles estão impactando os animais, então, como pensamos que eles não vão também nos impactar de alguma forma?", questiona Mason.

Por enquanto, ninguém sabe, afirma Lincoln Fok, cientista ambiental da Universidade de Hong Kong. "A pesquisa [sobre microplásticos] na saúde humana ainda está engatinhando", destaca.

Fibras de plástico são onipresentes

As fibras plásticas estão na água da torneira de países ricos e pobres. O número de fibras encontradas em uma amostra de uma pia de banheiro do restaurante Trump Grill, em Nova York, foi igual ao encontrado em amostras de Jacarta, na Indonésia. A Organização Trump não respondeu a telefonemas e e-mails em busca de comentários sobre o assunto.

As fibras microscópicas também foram encontradas em água engarrafada, e em casas com filtros com processo de osmose reversa. Os EUA não têm um padrão de segurança para o plástico na água da torneira. Na União Europeia (UE), normas determinam que a água da torneira seja livre de substâncias contaminantes.

No entanto, as fibras plásticas são onipresentes. Em amostras de água da torneira dos EUA e de Beirute, no Líbano, 94% continham fibras de plástico microscópicas. Outros locais com amostras coletadas foram Nova Déli, na Índia (82%); Kampala, em Uganda (81%); Jacarta, na Indonésia (76%); Quito, no Equador (75%); e na Europa (72%).

Descrença

A noção de plástico na água potável causa confusão e rejeição. Uma porta-voz do departamento de água de Los Angeles afirmou que "os resultados dos nossos testes em curso não mostram níveis elevados de plástico". Ainda assim, duas de cada três amostras de Los Angeles - incluindo água de um bebedouro público - continham fibras de plástico.

James Nsereko, pescador do Lago Victoria, em Uganda, também rejeitou a ideia. "Nós nunca encontramos nada assim", afirma. Mas uma amostra da torneira da vila onde Nsereko vive continha quatro fibras.

Em Washington, uma amostra de 500 ml de água da torneira do edifício do Capitólio continha 16 fibras, assim como a do prédio da Agência de Proteção Ambiental. Autoridades das cidades de Washington e Nova York disseram que suas águas estão de acordo com os padrões legais.

Mistério ambiental

Existe uma fonte confirmada de poluição de fibras plásticas - e você provavelmente a está usando. As roupas de tecidos sintéticos emitem até 700 mil fibras por lavagem, apontam os pesquisadores. A maior parte escapa do processo de tratamento de água e é descarregada em cursos d’água.

Mason afirma que águas residuais tratadas com fibras são provavelmente coletadas e, posteriormente, encaminhadas para casas de outras comunidades.

As fibras plásticas podem ser até transportadas do ar para nossos recursos hídricos pela chuva. Um estudo de 2015 estimou que de três a dez toneladas de fibras de plástico caíram anualmente nos telhados e ruas de Paris.

"O que observamos em Paris tende a demonstrar que uma grande quantidade de fibras está presente na precipitação atmosférica", diz Johnny Gasperi, da Universidade de Paris-Est Créteil.

De onde quer que elas venham, as fibras de plástico na água da torneira são um problema novo e perturbador para ser resolvido pelo governo, ciência e indústria, conclui Mason. "As pessoas sempre perguntavam: ’isto está em nossa água potável?’ Eu nunca pensei que realmente estivesse", diz.

DW: https://bit.ly/2pYfFUj

3 - Descoberta "preocupante" revela partículas de plástico em garrafas de água de 11 marcas diferentes


As conclusões de uma nova investigação são alarmantes: quase todas as garrafas de água das principais marcas contêm pequenas partículas de plástico.

GETTY IMAGES. Un nuevo estudio descubrió partículas plásticas en casi todas las botellas de agua que analizó.

250 frascos comprados em nove diferentes países foram examinados e uma média de 10 partículas de plástico por litro, maiores do que a espessura de um cabelo humano, de acordo com a pesquisa realizada pela organização jornalismo Orb Media, cujos testes foram conduzidos pela Universidade Estadual de Nova York, Estados Unidos.

As empresas cujas marcas foram testadas disseram à BBC que suas fábricas de engarrafamento operam nos mais altos padrões.

"Garrafa após garrafa"

Um novo estudo descobriu partículas de plástico em quase todas as garrafas de água analisadas.

Sherri Mason, professora de química da universidade que participou da análise, disse: "Encontramos (plástico) em garrafa após garrafa e marca após marca".

"Não se trata de apontar marcas em particular, realmente está em todos os lugares, o plástico se tornou um material tão difundido em nossa sociedade que está entrando na água, em todos os produtos que consumimos em um nível muito básico", disse ela à BBC.

"Atualmente, não há evidências de que a ingestão de pequenos pedaços de plástico (microplásticos) possa causar danos, mas a ciência tenta entender as possíveis implicações.

Após a filtração, as partículas maiores (marcações amarelas) são fáceis de ver.
(Foto: Orb Media)

Comentando os resultados, a professora Mason disse que "os números que estamos vendo não são catastróficos, mas são preocupantes".

Especialistas disseram à BBC que as pessoas em países em desenvolvimento, onde a água da torneira pode estar contaminada, devem continuar a beber água de garrafas plásticas.

No ano passado, o professor Mason encontrou partículas de plástico em amostras de água corrente e outros pesquisadores os detectaram em peixes e frutos do mar, cerveja, sal marinho e até mesmo no ar.

Onde foi encontrado?

Para os testes, um componente químico que adere ao plástico foi usado para identificar as partículas.

A pesquisa sobre água engarrafada incluiu a compra de pacotes de 11 marcas nacionais e internacionais em diferentes países, escolhidos por sua grande população ou consumo relativamente alto de água engarrafada.

Entre as principais marcas estudadas estão:
INTERNACIONAIS: Aquafina, Dasani, Evian, Nestle Pure Life, San Pellegrino. NACIONAIS: Aqua (Indonesia), Bisleri (India), Epura (México), Gerolsteiner (Alemania), Minalba (Brasil), Wahaha (China). Orb Media / Universidad Estatal de Nueva York, Fredonia, EE.UU.

Procedimento

Para eliminar qualquer risco de contaminação, as compras foram gravadas em vídeo. Alguns pacotes nos EUA foram encomendados através da Internet.

O exame de plástico incluiu a adesão de um corante chamado Red Nile a cada frasco, uma técnica recentemente desenvolvida por cientistas britânicos para a rápida detecção de plástico na água do mar.

O corante adere a partes plásticas flutuantes e as fluoresce sob um certo tipo de luz.

A professora Mason e seus colegas filtraram as amostras coradas e depois contaram cada peça com mais de 100 microns, aproximadamente o diâmetro de um fio de cabelo humano.

Algumas dessas partículas, grandes o suficiente para serem manuseadas individualmente, foram analisadas por espectroscopia em infravermelho e confirmadas como plásticas.

As partículas menores do que 100 microns, e com um tamanho de 6,5 microns, eram muito mais numerosos (uma média de 314 por litro) e contou-se utilizando uma técnica desenvolvida em astronomia para adicionar o número de estrelas no céu nocturno.

A composição dessas partículas não foi confirmada, mas a professora Mason disse que "racionalmente, acredita-se que sejam de plástico".

Isso ocorre porque, embora o corante Red Nile possa ser ligado a outras substâncias que não o plástico, como fragmentos de conchas ou algas que contêm lipídios, é improvável que eles estejam presentes na água engarrafada.

"Provavelmente de plástico"

Como o estudo não foi submetido ao processo usual de revisão e publicação por outros pesquisadores em uma revista científica, a BBC pediu a especialistas que fizessem seus comentários.

Dr. Andrew Mayes, da Universidade de East Anglia e um dos pioneiros da técnica Red Nile, disse que era "uma química analítica de alta qualidade" e que os resultados foram "muito conservadores".

Michael Walker, consultor do Gabinete de Produtos Químicos do Governo do Reino Unido e membro fundador da Food Standards Agency, disse que o trabalho foi "bem feito" e que o uso do Red Nile tem "uma qualidade muito boa".

Ambos enfatizaram que as partículas com menos de 100 mícrons não foram identificadas como plásticas, mas disseram que, como os componentes alternativos não seriam esperados na água engarrafada, eles poderiam ser descritos como "provavelmente plástico".

De onde vem o plástico?

Uma questão óbvia é qual é a origem desse plástico.

Dada a quantidade de polipropileno, que é usada em tampas de garrafa, uma teoria é que o ato de abrir uma garrafa pode lançar partículas dentro dela.

Para verificar se o processo de teste não estava contaminando as garrafas com plástico, o professor Mason analisou a água purificada usada para limpar o material de vidro e a acetona usada para diluir o corante Red Nile.

Pequenas quantidades de plástico foram encontradas nelas, que se pensa virem do ar, e foram removidas dos resultados finais.

Uma surpresa para os pesquisadores foi a grande variedade de descobertas: 17 das 259 garrafas analisadas não mostraram evidências de plástico.

No entanto, no resto das garrafas foram encontradas micropartículas e com grandes diferenças, mesmo dentro das marcas.

Descobriu-se que algumas garrafas tinham milhares de partículas, a grande maioria pequena, mas outras do mesmo pacote não tinham praticamente nenhuma.

O que as marcas disseram?

A BBC contatou as empresas envolvidas e a maioria respondeu.

A Nestlé informou que vem realizando seus próprios testes internos para microplásticos há mais de dois anos e que eles não detectaram nada em nível "acima do normal".

Um porta-voz acrescentou que o estudo da professora Mason omitiu os principais passos para evitar "falsos positivos", mas convidou a Orb Media para comparar os métodos.

Gerolsteiner também disse que vinha analisando a água e microplásticos há vários anos e que os resultados mostraram níveis "significativamente abaixo dos limites de partículas" estabelecidos para empresas farmacêuticas. Afirmaram que não conseguiam entender como o estudo da professora Mason chegou a tais conclusões.

Além disso, disseram que as medidas excederam os padrões da indústria, mas acrescentou que as micropartículas estão "em todos os lugares" pelo que "a possibilidade de entrar no produto a partir do ar ambiente ou materiais de embalagem durante o processo de engarrafamento não pode ser descartada por completo".

A Coca-Cola disse que possui alguns dos mais rigorosos padrões de qualidade do setor e usa um "processo de filtragem em várias etapas". Mas também reconheceu que os microplásticos "parecem onipresentes e, portanto, podem ser encontrados em níveis mínimos, mesmo em produtos altamente tratados".

A professora Mason convidou David Shukman, da BBC, para analisar os resultados do estudo.

A Danone disse que não poderia comentar sobre o estudo porque "a metodologia usada não está clara", mas acrescentou que suas próprias garrafas tinham "recipientes de qualidade alimentar". Observou que não há regulamentação sobre microplásticos ou consenso científico sobre como analisar, e também mencionou um estudo alemão menor do ano passado que encontrou partículas de plástico em frascos de uso único, mas não uma quantidade estatisticamente significativa.

A PepsiCo pediu à American Beverage Association para responder em seu nome. Afirmou que a indústria "apoiou a segurança da nossa água engarrafada" e descreveu a ciência dos microplásticos como "incipiente e um campo emergente que requer análise contínua de especialistas, pares e colaboração entre a investigação e as muitas partes interessadas."

Traduzido da BBC - espanhol:https://bbc.in/2Iuh1xO


4 - Quanto custa a água no Brasil?


Para os brasileiros que têm acesso a água e esgoto, tarifa chega a mais que dobrar de um estado para o outro. Desperdício e má gestão prejudicam abastecimento e fazem recurso cada vez mais escasso encarecer.

Na comunidade rural onde Maria Conceição mora, no sertão de Pernambuco, caixa d’água cheia é luxo. Ainda sob o efeito da seca dos últimos anos e sem abastecimento de caminhão-pipa há três meses, os moradores recorreram a uma fonte clandestina: um canal da transposição do rio São Francisco que corre a poucos metros das casas.

O dono da bomba que tira a água é morador local - o que o faz um dos mais respeitados na comunidade. O abastecimento ilegal funciona só à noite, e é possível contratar o serviço para encher os 16 mil litros da caixa por 30 reais.

"Nem todo mundo pode pagar. Mas dá pra comprar fiado", contou Maria. Os quatro moradores da casa, entre eles um filho especial e o marido doente, consomem os 16 mil litros em um mês. Usam a água, sem qualquer tratamento, para cozinhar, tomar banho e regar a pequena roça atrás da casa.

Para os brasileiros que têm acesso à infraestrutura de saneamento básico e água, o preço do serviço prestado por uma operadora de água pode mais que dobrar de estado para estados. O Pará tem a tarifa mais baixa do país: uma caixa d’água de 16 mil litros cheia sai por 33,44 reais. Goiás é o estado da água mais cara, 83,04 reais.

O Distrito Federal, palco do 8o Fórum Mundial da Água - que teve início neste domingo (18/03) - vem em segundo lugar (75,84 reais). Mas não há dinheiro que garanta caixa d’água cheia em Brasília. Há um ano, a escassez impôs um racionamento que prevê apenas quatro dias de abastecimento normalizado para 85% da cidade.

Mais longe e mais caro

Para abastecer Brasília, a operadora local precisa buscar água cada vez mais longe. "Isso gera uma série de esforços, tanto no dia a dia operacional para fazer o abre e fecha dos registros, como para tocar obras para implantação de novas unidades de captação de água", afirma Maurício Luduvice, presidente da Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb).

Colocar água "nova" no sistema encarece a operação. "Como todas as regiões metropolitanas, estamos sendo obrigados a buscar água a uma distância maior", confirma o presidente da Caesb, que agora capta água em Goiás.

Por enquanto, ainda não se sabe quanto isso vai afetar os custos operacionais, tampouco quando o abastecimento voltará à normalidade.

Ao mesmo tempo, o desperdício no sistema, antes de a água chegar às torneiras dos consumidores, ainda é grande. A média no Brasil é de 38,1%, apontam dados de 2016 do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).

Quem usa mais

De toda a água captada no Brasil, 67,2% são destinados à agricultura, segundo informações da Agência Nacional de Águas (ANA). O país está entre os de maior área de irrigação do planeta.

"Esse é o número de pedidos, de autorizações para uso destinado à agricultura. Não quer dizer que consumimos toda essa água", argumenta Nelson Ananias Filho, coordenador de Sustentabilidade da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

"Sobre a alta participação da agricultura no consumo nacional, Ananias Filho afirma: "A atividade agropecuária não disputa com outros usos que são prioritários: o abastecimento urbano e dessedentação animal."

A água corresponde a cerca de 20% do custo total de produção na agricultura. "Botar água na hora certa no lugar certo é muito caro. A estrutura de bombeamento, energia elétrica e equipamentos custa caro. Se uso mais água do que preciso, o custo aumenta", afirma Ananias Filho, argumentando que o setor não usa mais que o necessário.

"De forma geral, esse percentual de consumo que o setor agrícola tem no Brasil é observado em todas as partes do mundo", comenta Adilson Pinheiro, presidente da Associação Brasileira de Recursos Hídricos (ABRH). "Mas ainda há espaço para ganho de eficiência. Quanto mais tecnológico for o setor da agricultura, menor será o consumo de água."

Onde há mais atraso

No setor de saneamento básico, os atrasos são marcantes e poluentes. "Esse setor é hoje um dos grandes responsáveis pela má qualidade das águas", analisa Pinheiro, da ABRH.

Nas contas de Pedro Scazufca, economista da da GO Associados e parceiro da ONG Trata Brasil, são necessários atualmente 450 milhões de reais para garantir saneamento básico a todos os brasileiros.

"O plano nacional, lançado em 2013, era universalizar os serviços de água e esgoto até 2033. Atualmente, o investimento está 25% abaixo da meta. Nesse ritmo, a universalização só será alcançada em 2054", estima.

"O custo da falta de saneamento é alto. Uma pesquisa feita pelo Trata Brasil mostrou que cidades com piores indicadores chegam a gastar cinco vezes mais com saúde.

Água e lucro

Cada vez mais cara, a água vai ficando menos disponível para o consumo. Até 2050, um terço da população mundial sofrerá com a escassez de água, projeta a ONU.

As disputas já deixam diversos grupos para trás, aponta Natália Dias, do comitê USP pela água e integrante do Fórum Alternativo Mundial da Água (FAMA).

"Frente às grandes corporações que têm interesses em lucrar com serviços em torno da água, nós formamos uma rede com ONGs, movimentos sociais, sindicatos, ribeirinhos, indígenas que são contra a mercantilização. Água é direito, e não uma mercadoria", diz.

Na visão do fórum, a atuação de corporações nos bastidores limita o acesso à água e aumenta a distância entre os que podem e não podem pagar.

Por outro lado, os custos operacionais não podem ser ignorados, pontua Pedro Jacobi, pesquisador e presidente do Iclei Brasil (Governos Locais pela Sustentabilidade). "Água é um bem. E tem um custo. Mas não queremos que água seja um bem trocado por interesses econômicos", afirma.

Jacobi ressalta que água é um recurso escasso, que precisa de um manejo mais racional e equitativo e deve ser acessível para todos os seguimentos da sociedade. "E quem usa mais tem que pagar mais", considera.

Link: https://bit.ly/2Grc0sl

Morador do sertão pernambucano pega água de canal de transposição do rio São Francisco


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