Resag

Em visita ao PTI, representante da Resag fala de possível parceria e convida para o 3º Congresso Internacional da Rede

Na última semana, o Parque Tecnológico Itaipu recebeu a visita da doutora Vera Maria Ponçano, da Rede de Saneamento e Abastecimento de Água (Resag), que conheceu a infraestrutura, programas e ações desenvolvidas no Parque, assim como os objetivos e metodologias de atuação com vistas à promoção do desenvolvimento territorial. “O PTI possui um avanço tecnológico que eu não esperava. Me impressionou a preocupação e a responsabilidade em aplicar o resultado dos trabalhos e pesquisas realizadas aqui”, avaliou.

A Resag integra o Ministério de Ciência e Tecnologia e busca a melhoria dos serviços laboratorial na área de qualidade, saneamento e abastecimento de água. Possui 38 laboratórios em 10 estados. “Quando se fala em qualidade da água ou na eficiência dos processos de saneamento é preciso contar com medições confiáveis. E para isso precisamos de bons laboratórios, capazes de realizar medições com exatidão de valores, com valores que tenham rastreabilidade e que possam ser comparados com indicadores internacionais. A garantia dos resultados emitidos pelos laboratórios requer uma série padrões, técnicas, treinamentos”, pontua. “Na Rede desenvolvemos tais padrões, materiais de referências, certificados, ensaios de proficiência, estudos interlaboratoriais, avaliação entre pares, publicações e eventos, dentre outras iniciativas, explica.

Durante a visita, Ponçano destacou a possibilidade de parceria entre PTI e Resag. “Além das ações para melhoria dos serviços laboratoriais, a rede está ampliando sua atuação para abarcar também questões relacionadas a inovação e extensão tecnológica. Conhecendo alguns dos projetos do Parque, entendo que o PTI pode integrar a rede contribuindo com os estudos e sendo beneficiado com as ferramentas que disponibilizamos”, diz.

3º Congresso Internacional Resag

Entre os dias 11 e 15 de setembro, a Rede realiza a 3ª edição do Congresso Internacional Resag, em Belo Horizonte - MG. Palestrantes nacionais e internacionais conduzem discussões em temáticas como planejamento e execução de políticas públicas relacionados aos recursos hídricos; programas e ações nas áreas da saúde, meio ambiente, indústria, comércio e agricultura; monitoramento, preservação e qualidade da água. “Um dos objetivos deste ano é discutir modelos e formas para apoiar o micro, pequeno e médio empresário. Existem carências e a necessidade de melhor o entrosamento entre o mundo da tecnologia e o mundo do pequeno empresário”, destaca Ponçano, coordenadora geral do evento.

Até o dia 15 de abril, estão abertas as inscrições para submissão de trabalhos técnicos. No encerramento do evento, os melhores trabalhos serão premiados. Para mais informações sobre o congresso, acesse: www.resag.org.br/congressoresag2017


O octogenário hindu que salvou milhões de gotas de água

O octogenário hindu que salvou milhões de gotas de água

O artista Aabid Surti oferece há uma década serviços de encanamento gratuito nos subúrbios de Bombay

São dez da manhã de domingo em um dos distritos mais ao norte da megalópole de Bombay. Tocam a campainha da casa: "Serviço gratuito de encanamento! Tem perdas em alguma torneira?". Do outro lado da porta está Aabid Surti, um pintor, escritor e ilustrador desta cidade da Índia, também fundador da Ong Drop Dead Foundation. Sua rotina dominical começa acompanhado pela voluntária Rajeshree Modi e o encanador Kailash Kumar. Como toda semana, visitarão dois edifícios e ao redor de cinquenta moradias para oferecer serviços de encanamento gratuito e assegurar que nenhuma gota de água se perca nos lares desta zona.

"O problema da água está relacionado com minha infância", relata Surti. "Quando era pequeno, vivia na rua, minha mãe se levantava cedo e ficava em uma larga fila de pelo menos de uma ou duas horas para obter um balde de água. Não posso esquecer esses dias". A idéia da ONG nasceu muitos anos depois, quando leu em uma reportagem que explicava que cada segundo em que se perde uma gota de água, significa em um mês mil litros pelo ralo. "Isto me impactou muitíssimo: é como se alguém atirasse mil garrafas de água pelas bocas-de-lobo" comenta o artista. "Assim decidi criar Drop Dead Foundation e começamos a ir de casa em casa para arrumar as torneiras com um encanador. Dedicamos apenas duas horas por semana: um tempo que cada pessoa pode doar para favorecer o bem-estar da sociedade".

A luta pela água é um problema muito presente no dia a dia dos indianos. Conforme afirma o Governo local, ao redor de 330 milhões de habitantes do país não têm água suficiente devido à seca. Um número que equivale a quase a metade da população europeia. Durante o verão passado, as chuvas diminuíram em 14% em toda a Índia e em 40% no estado de Maharashtra, onde vive e trabalha Aabid Surti. Nesta zona, mais de nove milhões de camponeses ficaram sem acesso ou com acesso limitado a este recurso. Pessoas que protagonizam grandes migrações para cidades como Bombay, Pune e Aurangabad, onde lhes esperam condições de vida sob a soleira da pobreza.

Hoje Aabid está visitando um imóvel, cujas portas das casas estão decoradas com referências às mais diversas iconografias religiosas. Começando pelo adesivo gigante do deus elefante Ganesh, passando pelo olho do Allah até chegar aos versos da Bíblia. São mulheres, principalmente, as que respondem a Aabid e seus dois acompanhantes. Algumas famílias, aquelas que têm o dia livre do trabalho, ainda estão em pijama com as meninas e os meninos deitados na cama, enquanto outras estão desfrutando de seu café da manhã. Porta após porta, encontram reações diferentes: algumas pessoas não abrem; enquanto isso outras lhes olham desde as grades da porta ou só aparecem parcialmente, deixando o ferrolho posto. Muitas dizem que não têm estes problemas e umas quantas aproveitam para mostrar pequenas perdas de água. Apenas umas poucas lhes olham com receio e, quase ao final do dia, um senhor lhe dá uma bronca porque quer que lhe mostrem a autorização que tiveram que pedir ao administrador do imóvel para oferecer estes serviços gratuitos.

Uma vez dentro das casas, a questão é resolvida em poucos minutos, justo o tempo de queda de umas poucas gotas. A voluntária Rajashree e o encanador Kailash entram primeiro no apartamento, saúdam a família e se dirigem direto ao lugar da perda, que normalmente é uma torneira da cozinha ou do banheiro. "Fazemos pequenos acertos; normalmente se trata de trocar a junta, que vale ao redor de uma rupia (0,04 reais). Realmente um gasto muito baixo para a Ong". Aabid se entretém dando de presente livros às meninas e meninos da família ou tomando chai, típica bebida da Índia a base de chá com leite e especiarias; enquanto isso, Rajashree reparte panfletos com conselhos para ajudar a economizar água em casa. Uma vez cumprida a missão, põem o adesivo que representa uma gota como logotipo do Drop Dead Foundation ao lado do grifo reparado e continuam tocando portas até subir e baixar por completo os dois imóveis atribuídos para este domingo.

"Aqui as pessoas sempre falam de salvar o rio Ganges", explica Surti. "Sei que não posso fazer nada por esta grande torrente de água mas se cada pessoa começa salvando as poucas gotas que estão a seu alcance, podemos preservar um grande rio". De fato, estas pequenas quantidades criaram uma potente corrente que segue fluindo há quase uma década. Em total, um milhão de litros de água tão só no primeiro ano. Isto é o que calcula ter economizado Aabid com seu trabalho domingueiro. "Desde fevereiro de 2007 até fevereiro de 2008 visitamos 1.666 apartamentos, reparando 440 torneiras gotejantes e salvando 500.000 litros de água", declara Surti, que segue explicando como levou adiante as dificuldades encontradas pelo caminho. "Deus é meu coletor de recursos! Sempre, que estava a ponto de deixar o trabalho com a Ong, chegava-me dinheiro de maneira inesperada, um prêmio por minha carreira ou, como no último caso, a doação do ator de Bollywood Amitabh Bachchan, que me entregou 110.0000 rupias (ao redor de 5.200 reais) depois de me convidar a seu programa televisivo" explica rindo o artista.

A sede da Índia

Índia é o país com o pior acesso à água potável no mundo, seguido pela Papua Nova Guiné, Guiné Equatorial, Angola, Chad e Moçambique. Segundo a ONG Water Aid, 76 milhões de seus habitantes se vêm forçados a comprar água a preços elevados ou a bebê-la poluída, por serem águas residuais ou com vertidos químicos. Um problema que tem repercussões também sobre as práticas de higiene pessoal, com baixos índices de lavagens de mãos e escassa disponibilidade de privadas. Mais de oito milhões de lares não têm asseios e só 14% da população pode utilizá-los: isto faz com que a Índia seja o país com o major numero de defecações ao ar livre, mais de 50%. Esses excrementos poluem as águas subterrâneas e causam enfermidades como diarreia e cólera. E 21% delas estão relacionadas com a utilização de águas não seguras, segundo estimativas do Banco Mundial.

"O futuro? A terceira guerra mundial será pela água. A culpa é dos políticos e daquelas corporações que procuram tirar proveito disso. Como o que passou na Índia com a Coca-cola, que abriu uma planta de produção em Kerala e tudo nos arredores secou. Todos seus recursos hídricos foram utilizados pela multinacional", recorda Aabid explicando os protestos levados a cabo pelas mulheres do povoado da Plachimada, ao sul de Estado da Kerala. Coca-cola necessita grandes quantidades de água para sua produção: 2,7 litros de água para produzir sozinho um litro de produto. As pessoas que habitam este povoado empreenderam protestos que levaram ao fechamento das fábricas da multinacional desta zona em 2005. Foi uma vitória para a cidadania embora sigam esperando indenizações pelos danos causados às pessoas e ao meio ambiente.

Os Deuses também economizam água

Em todo domingo Aabid não tomou nem um copo de água. Uma vez acabado seu percurso pelos dois imóveis, volta para seu lar, um modesto apartamento em Mire Road, igual a tantos outros que acaba de visitar. Ali está rodeado de seus livros — publicou mais de oitenta em toda sua carreira—, suas pinturas, e imagens do gibi que lhe tem feito famoso no país e cujo protagonista é Badahur, o primeiro super-herói indiano. Estas imagens compartilham espaço em sua parede com aquelas da nova campanha que acaba de lançar "Save Water >> Says God", que envolve a personagens como Jesus, Ganesh e o profeta Maomé. "Se disser não esbanje água, ninguém me vai escutar. Mas se o dizem Jesus, Krisna e Shiva, sim", diz enquanto mostra um primeiro pôster que pendurou nas 200 mesquitas da zona de Mire Road, "Aqui o profeta Maomé diz: se estiver ao lado de um rio não esbanje água". E isto é sozinho o primeiro de uma série de pôsteres desta iniciativa que pretende ter um alcance global e sair dos limites da Índia.

O cuidado da água está sempre presente na vida do Aabid, também nos gestos cotidianos. "Decidi deixar crescer a barba porque se não cada dia teria tido que gastar um balde de água para me barbear" relata sorrindo. "Entendo que estou fazendo um bom trabalho de sensibilização quando os amigos vêm me visitar em casa e abrem a torneira pouco a pouco, com muito cuidado. Porque cada gota conta".

Tradução de matéria publicada no El País España em 18/04/17: http://elpais.com/elpais/2017/04/17/planeta_futuro/1492419039_491868.html


Conflitos por água crescem 150% no Brasil em 5 anos, aponta estudo

Conflitos por água crescem 150% no Brasil em 5 anos, aponta estudo

O número de conflitos por água no país cresceu 150% entre 2011 e 2016, saltando de 69 para 172. Os dados são do levantamento "Conflitos no Campo Brasil 2016", divulgado nesta segunda-feira (17) pela CPT (Comissão Pastoral da Terra). Segundo a entidade, os conflitos atingiram 44 mil famílias no ano passado e chegaram ao maior número desde 2002 - quando a pesquisa desse tipo de disputa começou a ser feita pela comissão.

Dos conflitos 172 de 2016, 101 (58%) ocorreram por decisões de uso e preservação da água; 54 (31%) por criação de barragens e açudes e 17 (10%) por apropriação particular. A região com maior número de conflitos é o Sudeste - número que cresceu depois do rompimento da barragem da Samarco, em Mariana (MG), em novembro de 2015. O maior número de famílias atingidas, entretanto, está no Norte: 16 mil.


"Os dados demonstram que, apesar do grau de oscilação que marca esses conflitos entre 2002 e 2010, houve uma crescente elevação da conflitualidade a partir de 2011. Conflitualidade que se acirra e está relacionada às disputas territoriais por esse bem comum natural", afirma o estudo. Segundo a CPT, a mineração responde por mais da metade dos problemas (51,7%) e as hidrelétricas, por 23,2%. Os ribeirinhos são os mais afetados: 64 conflitos ao todo, seguido por pescadores (31), pequenos proprietários de terra (16) e indígenas (15).

Diferenças regionais

As disputas ocorrem em todo país, mas revelam diferenças regionais. No Sudeste se registra a maior parte dos conflitos por uso e preservação da água: 68 dos 101. "Os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo [afetados pelo rompimento da Samarco] juntos somam 75 conflitos, ou seja, 43,6% do total geral de 172 Conflitos pela Água registrados em 2016. Elevado percentual reflexo da tragédia de Mariana", diz o estudo. Já no Nordeste, por exemplo, está a maioria dos conflitos por apropriação particular da água: nove dos 17 casos. Na região castigada pela seca há seis anos, 38% das pessoas que se envolveram em conflitos nessa categoria foram atingidas por "fazendeiros e empresários do agrohidronegócio”.

"A histórica 'indústria da seca' se retroalimenta mais uma vez desse fenômeno natural perpetuada em processo político, assistencialismo, compra de votos e subordinação. A água que resta é apropriada privadamente e posta a serviço posta a serviço do agronegócio", diz o estudo. Entre 2002 e 2016, 443 mil famílias se envolveram em 1.153 conflitos pela água. "Isso dá mostras da dimensão de uma das faces da questão agrária brasileira: a apropriação capitalista privada e a devastadora exploração das nossas águas", diz o levantamento. O estudo ainda cita que todos os últimos governos (“de José Sarney a Dilma Roussef”) pouco fizeram para sanar o problema de acesso à água.

Procurada pela UOL, a ANA (Agência Nacional de Águas) informou que não teve acesso ao estudo e só irá comentar após analisar o documento na íntegra.

Matéria publicada no UOL em 17/04/17: https://noticias.uol.com.br/cotidiano/ultimas-noticias/2017/04/17/conflitos-por-agua-crescem-150-no-brasil-em-5-anos-aponta-estudo.htm


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