Resag

Vem aí o 3º CONGRESSO INTERNACIONAL RESAG - 2017

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Confirmada a terceira edição do Congresso Internacional da Rede de Saneamento e Abastecimento de Água. Em território mineiro, o Congresso é anunciado com a participação certa de especialistas do Brasil e do exterior, bem como de estudantes e representantes do setor produtivo. Os Congressos anteriores já contaram com a participação de especialistas de diversos países e diferentes continentes.

A garantia do abastecimento de água para as diversas necessidades do país ainda é um grande desafio a ser vencido por uma construção conjunta, que é um dos grandes objetivos do Congresso. A universalização do saneamento adequado ainda é uma realidade distante, mas cujos avanços observados são uma conquista e indicativo que o esforço coletivo alcança resultados.

A Resag promete um Congresso propositivo e enriquecedor. Veja as datas e local:
Cursos: 11 e 12 de setembro de 2017
Congresso: 13 a 15 de setembro de 2017
Local: Centro de Desenvolvimento da Tecnologia Nuclear - CDTN
Auditório Francisco de Assis Magalhães Gomes

Av. Pres. Antônio Carlos, 6.627 – Cidade Universitária, Pampulha

Belo Horizonte – MG



A guerra da água estala na capital tecnológica da Índia

Dois mortos e 350 detidos em Bangalore pelos protestos pela partilha da água de um rio entre dois estados do país.

Ativistas de Karnataka queimam uma efígie do líder do estado vizinho, Tamil Nadu,em Bangalore (Ýndia). AFP

A disputa entre dois Estados do sul da Índia pela água de um rio desatou uma série de protestos que causou dois mortos e que afetou as operações de empresas transnacionais apoiadas em Bangalore (o Silicon Valley indiano), como Accenture, Amazon, Samsung e Oracle; e gigantes indianos como Infosys e Wipro. O porta-voz da Accenture confirmou que a empresa fechou e que os protestos nas ruas afetam a muitas companhias de todos os setores na cidade. “A entrega de nossos produtos se viu afetada temporalmente. vamos retomá-las o quanto antes”, assegurou um porta-voz do Amazon ao canal NDTV. A maior associação de comerciantes da Índia, Assocham, cifrou em 2,9 bilhões de euros as perdas dos últimos quatro dias no Estado da Karnataka pelos protestos, que coincidiram com uma greve de trabalhadores.

A disputa entre os Estados da Karnataka, cuja capital é Bangalore, e Tamil Nadu pela água do rio Cauvery remonta há várias décadas, entretanto o episódio atual ocorreu dia 12 de setembro último, quando o Tribunal Supremo determinou que Karnataka liberasse mais água para o vizinho Tamil Nadu. Os dois Estados asseguram que necessitam a água para beber e para suas colheitas. O chefe de governo da Karnataka disse que cumpriria a ordem e dariam mais água apesar da dificuldade que isso imporia e pediu aos cidadãos que não exercessem “justiça por mão própria”. Também o primeiro-ministro, Narendra Modi, chamou à calma dizendo que “violar a lei não é uma alternativa. A violência e incêndios dos últimos dias só causam perdas aos pobres e à propriedade da nação”.

Devido à sua situação geográfica, em Tamil Nadu não chove muito e a localidade depende, para sua irrigação, de seus vizinhos Karnataka e Kerala. Com Kerala há outra disputa pela água do rio Periyar. Historicamente os Estados do sul da Índia são pacíficos, mas a escassez de água está afetando a região nos últimos anos. As últimas chuvas de monção não foram muito boas. E, além disso, a região foi afetada pela exploração ambiental e desmatamento dos Ghats Ocidentais, uma cadeia montanhosa de grande importância para a zona, considerados um dos oito lugares mais biodiversos no mundo.

Apesar do chamamento à calma, houve enfrentamentos em ambos os lados da fronteira interestadual. “As pessoas da Karnataka sentem que os Tamiles estão lhes roubando água, e vice-versa. Assim, os de um lugar atacam os negócios e agridem as pessoas do outro”, explica Vivek Chinnaswamy, que dirige uma companhia de software, Homer Technologies Pvt. Chinnaswamy, que é de Tamil Nadu e vive em Bangalore, epicentro dos distúrbios. Diz ainda que tirou a matrícula de seu carro para evitar problemas e que esta noite tem previsto retornar com sua família a Coimbatore, sua cidade natal. “Em minha casa falta água para beber, leite e remédios desde ontem (dia 12 de setembro) e não sabemos até quando durará o problema, assim preferimos sair daqui por enquanto”, explica por telefone. Em Bangalore dezenas de ônibus e negócios foram queimados. A polícia enviou 15.000 agentes só na cidade, assegura que prendeu a 350 pessoas por vandalismo e que o toque de silêncio seguiria até na 14 de setembro. Por meio de um twit a polícia assegurou: “A situação é de calma total, serão tomadas ações contundentes contra os vândalos”. Um dos dois mortos faleceu em um enfrentamento com as forças de segurança.

Fonte: Traduzido do El País, versão España, em 13/09/2016.


Criadores de Santa Catarina investem na captação de água da chuva

Como manter a criação quando falta água? Os catarinenses investem em cisternas cisterna capazes de armazenar 500 mil litros de água da chuva.

Como manter a criação quando falta água? Criadores de Santa Catarina, onde há muitas granjas de porcos e aves, estão investindo na captação da água da chuva. A ordem é guardar quando sobra, para ter quando falta.

Márcia era empregada doméstica. Leocir era pedreiro. Juntos, eles resolveram ir atrás do sonho de uma vida melhor - juntaram economias e viraram criadores de suínos. “É uma vida mais saudável, você fica perto do campo. O meu esposo foi criado no campo. O sonho dele era voltar para o campo. Então a gente deixou a cidade e veio para cá”, diz Márcia Miglioretto.

A criação fica na cidade de Concórdia, e tem 1.300 animais na fase de terminação. Eles chegam para Márcia pesando em torno de 20Kg e depois de cinco meses são entregues ao frigorífico com cerca de 100Kg. Durante este período, comem bastante e bebem muita água.

Clique na imagem para ver o vídeo da reportagem, na página do G1.

Toda a água que abastece a criação vem de um poço artesiano que, até bem pouco tempo atrás, tinha 124 metros de profundidade e produzia 1.000 litros de água por hora. Para conseguir uma vazão maior, o proprietário Leocir Miglioretto gastou R$ 25 mil e aprofundou mais 110 metros, mas a vazão não mudou. Leocir conta que a preocupação com a água é muito grande: “Porque não tem mais fonte de água na minha terra. Eu tenho só o poço artesiano que alimenta de água para mim”, afirma ele, que ainda enfrenta estiagem de até 30 dias em alguns períodos.

O abastecimento de água é problema para muitos criadores do sul do país. Como solução, eles encontraram uma alternativa usada há muito tempo no Nordeste: a construção de cisternas. Mas lá no Sul a cisterna é diferente: é enorme. Outra diferença, como explica Paulo Baldi, técnico em agropecuária da Embrapa, é que ela não é voltada para o abastecimento da casa, mas para a manutenção da criação. “Hoje a cisterna é importante numa propriedade, principalmente para garantir uma água num período de estiagem e evitar que se utilize uma água de um poço artesiano, uma água tratada, uma água que seria utilizada para consumo humano, para limpeza de instalações. Então se você guardar no período que tem a água da chuva, para o período que não tem, vai ser vantajoso para o produtor".

O sistema todo funciona assim: a chuva cai no telhado do galpão da criação, escorre para as calhas, instaladas nas laterais e vai para um pré-filtro, onde ficam retidos folhas e resíduos maiores. A primeira água é descartada e o resto vai para filtros com britas. Já mais limpa, a água é armazenada na cisterna, que é coberta e fechada para impedir a entrada de luz solar e de animais – inclusive mosquitos. Segundo Paulo Baldi a água é boa: “Nós já fizemos vários trabalhos aonde deu água com potabilidade, livre de coliforme fecal. Mas tudo isso porque a gente precisa de todo um sistema.

O criador Marcos Munaretto construiu a cisterna há alguns anos, para garantir água para suínos e vacas, e só vê vantagens: “É bem simples [a manutenção]. No descarte da primeira água da chuva, tem a caixa que faz e depois a gente elimina. Parou a chuva, você tem que eliminar a água que fica no fundo falso da caixa. E, no mínimo duas vezes por ano, lavar as pedras ou trocar, quando não tem mais condições de lavar. Mas é bem simples e o custo é baixíssimo”, conta ele que antes de ter a cisterna, em tempos de estiagem precisava buscar àgua nos rios em volta da propriedade. “Eu chegava a percorrer cinco quilômetros para buscar água. Se não tiver cisterna, pode desistir dos bichos”.

Márcia e Leocir não querem desistir dos bichos. Procuraram economizar água fazendo a limpeza com varrição a seco e instalaram um bebedouro automatizado, que só libera água quando o animal vai tomar. O banho também está limitado.

Leocir, com sua habilidade de pedreiro, já construiu novas baias e quer aumentar a criação – de 1.300 animais, pretende chegar a 1.900. Mas com isso, o consumo de água também aumenta. “Hoje tá em torno de 15 a 17 mil litros [por dia]. Quando tiver 1.900 animais, vai para 20 a 25 mil litros, por dia”, calcula Leocir. Por isso, o novo investimento do casal é uma cisterna, que já está sendo escavada. A construção é demorada e a primeira exigência é ter espaço. Ela deve ficar bem ao lado do galpão, para facilitar o trajeto da agua. Depois do espaço escavado, a manta preta que vai forrar a cisterna é esticada e colada a quente – não pode ficar nenhum buraco por onde a água possa vazar. São vários homens para carregar o material pesado e um bom tempo até esticar e posicionar a manta no lugar. Aí vem a fixação e a colocação dos arcos de metal, que darão sustentação à cobertura. Enquanto isso, outra equipe trabalha na instalação das calhas.

Quando a cisterna ficar pronta, ela será capaz de armazenar 500 mil litros de água da chuva - quantidade suficiente para abastecer toda a criação de suínos por 25 dias, mesmo que não haja mais nenhuma fonte de água. Ansiosos, eles acompanham a construção: “Uma tranquilidade de saber que eu vou ter uma água armazenada e que meus animais não vão passar necessidade quanto a isso”, conta Márcia, que acredita que o investimento vale o benefício. “Se eu parcelar, vou pagar R$ 30 mil. Se pagar à vista, R$ 15 mil, diz Laercio. Após o investimento e o aumento da quantidade de animais, ele deve ter uma renda de R$ 15 mil a R$ 18 mil maior. Ou seja, já paga a cisterna.

Não é barato, mas tem algumas empresas que fazem a construção e o produtor que não tem recursos próprios pode procurar um financiamento, como explica Paulo Baldi: “Vai procurar uma linha de crédito, através da Secretaria da Agricultura, da prefeitura do município dele, através de Emater, num órgão que presta assistência para o produtor rural.

Fonte: site G1, em 11/09/2016.


Após crise hídrica, São Paulo não fez toda a lição de casa

Em meio à pior estiagem de sua história, em 2014 e 2015, São Paulo deixou milhares de moradores com as torneiras secas em algum momento do dia, recorreu ao volume morto (reserva emergencial do fundo das represas) do Cantareira, acelerou obras de interligação entre reservatórios, impôs sobretaxa pelo consumo excessivo e bônus para os que economizavam água.

O cenário crítico melhorou neste ano, mas, apesar do anúncio de fim da crise pela gestão Alckmin (PSDB), a situação não chega a ser tão confortável. Para se ter uma ideia, o consumo de água na Grande São Paulo no início da crise era de 67,4 mil litros por segundo. No auge da crise, esse consumo chegou a ser reduzido em 26%, chegando a 49,9 mil litros por segundo. Mas atualmente, já subiu e está em 58,9 mil litros por segundo, uma queda de 12,6%, em relação ao início da crise.

E o alerta voltou a ser aceso no mês passado – julho mais seco dos últimos cinco anos no Cantareira.

Maior reservatório de abastecimento da região metropolitana, esse sistema está com 58,5% da capacidade, incluída a cota do volume morto. Bem mais que os 13,9% de um ano atrás, mas ainda aquém da média de 71% antes da crise nessa época do ano.

Para especialistas ouvidos pela Folha, São Paulo deixou de aproveitar a crise hídrica para promover algumas mudanças estruturais na gestão da água e saneamento – de forma a não depender tanto das variações climáticas.

Como parte da lição de casa ainda pendente, eles citam investimento em reaproveitamento do esgoto e mudança duradoura do padrão de consumo de água. "Não adianta termos sofrido tanto com a crise, se não tirarmos lição dela", diz Edison Carlos, presidente do Instituto TrataBrasil.

ÁGUA DE REÚSO

Tratar parte do esgoto urbano de maneira tão pura ao ponto de ser possível beber a água obtida nesse processo. Segundo especialistas, esse é o futuro do abastecimento sustentável no mundo. Isso já está presente no setor industrial – por exemplo, com o Aquapolo (empresa da Sabesp e da Odebrecht Ambiental e maior produtora de água de reúso do país). Mas falta regulação sanitária para abastecimento público.
Em 2014, o governo do Estado chegou a anunciar a construção de duas estações de tratamento de esgoto voltadas para isso. Na época, a medida foi divulgada como um avanço de longo prazo na segurança hídrica da região. O projeto, porém, foi paralisado. A Sabesp diz ter optado por soluções mais rápidas e baratas para superar a crise.

REDUÇÃO DE PERDAS

Segundo a companhia de abastecimento, em São Paulo, a cada cinco litros de água tratados, um é perdido nos canos da própria empresa. Para o hidrólogo Carlos Tucci, é irracional que se busque água de fontes cada vez mais distantes enquanto as tubulações deixam vazar tanta água.
Se forem somadas as perdas por fraudes e "gatos", esse índice sobe para 30% de toda a água tratada – contra 37% na média nacional. Há anos, um programa de redução de perdas é tocado em São Paulo, mas os avanços já não cumprem as metas. A Sabesp diz que esse é um processo longo e contínuo.

REDUÇÃO DE CONSUMO

A separação na medição pode reduzir entre 20% a 30% o consumo de um condomínio.

Quando passou por uma forte seca, em 1994, a cidade de Nova York percebeu que era preciso reduzir de maneira duradoura o consumo de água da população. A prefeitura local financiou a troca de vasos sanitários por modelos mais econômicos. O programa substituiu 1,3 milhão de privadas na década de 1990. Em 2014, uma nova etapa do projeto foi iniciada.

O governo paulista diz estudar um plano semelhante. Uma alternativa pode ser a individualização de hidrômetros em condomínios residenciais, mas a medida ainda é cara (isso é previsto em lei federal, mas só para prédios novos, daqui a cinco anos).

Para Carlos Tucci, a individualização de hidrômetros deverá passar pela resistência das empresas de saneamento. "Obviamente, não interessa à empresa de saneamento reduzir o consumo, pois diminuirá a arrecadação."

ÁREAS IRREGULARES

Em muitas favelas paulistas, a água encanada só chega por meio de "gatos". A prática expõe a população mais pobre a contaminação e aumenta o volume de água perdida nos canos. Para o presidente da Sabesp, em algumas dessas áreas irregulares, é possível fornecer água legalmente, mas, por questões técnicas, seria difícil coletar o esgoto.
Nessa condição, a Sabesp alega ter receio de ser criminalmente responsabilizada por oferecer água a uma população sem dar o destino adequado ao esgoto local. "Ficamos diante de um dilema", afirma Jerson Kelman, presidente da empresa. "Ou continuamos aceitando essa condição, em que a população é prejudicada e há perdas de água, ou iniciamos um diálogo sistêmico [com promotoria e prefeituras]."

Fonte: Folha de S. Paulo, em 09/08/2016.


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