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Confira as fotos 2° Congresso Internacional RESAG 2015 "Gestão da Água e Monitoramento Ambiental: desafios e soluções locais e nacionais", realizado em Aracaju-SE em dezembro de 2015, clicando aqui.


Economia está mais dependente da água, aponta relatório da ONU

Três de cada quatro empregos de toda a força de trabalho global são dependentes da água

Três de cada quatro empregos de toda a força de trabalho global são dependentes da água, o que significa que a escassez hídrica e os problemas de acesso à água e ao saneamento podem limitar o crescimento econômico e criação de vagas nas próximas décadas. É o que mostra o relatório mundial das Nações Unidas sobre Desenvolvimento dos Recursos Hídricos, Água e Emprego 2016, apresentado no fim de março pela ONU.

Na prática, metade de todos os trabalhadores de todo o mundo -1,5 bilhão de pessoas- estão empregadas em oito setores muito dependentes de recursos hídricos: agricultura, silvicultura, pesca, energia, manufatura, reciclagem, construção e transporte.

Sozinha, a agricultura consome 70% dos recursos hídricos globais. Indústria e serviços abocanham outros 20% e o abastecimento humano, 10% da água doce disponível.

"há oportunidades econômicas na gestão da água. O reúso, a reciclagem, a captação de água da chuva e o investimento em saneamento tem potencial para criar novos empregos"

Angela Ortigara, Programa Mundial de Avaliação de Águas da ONU.

"Os empregos em todo o mundo são totalmente dependentes da água, e precisamos pensar em quais são os investimentos que precisam ser feitos hoje para enfrentar o cenário que teremos em 30 a 40 anos", diz Ary Mergulhão, coordenador de Ciências Naturais da Unesco, órgão da ONU para educação, ciência e cultura.

Todos os cenários trazidos pelo estudo apontam para o risco de escassez. Entre eles, a projeção da OCDE (Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico), que estima que 2,3 bilhões de pessoas viverão em áreas com grave restrição hídrica até 2050.

Hoje, 1,8 bilhão de pessoas não têm acesso seguro à água com condições mínimas para o consumo humano.

Outro prognóstico do relatório mostra que o mundo enfrentará um déficit de 40% entre a procura e a disponibilidade de água em 2030, caso nenhuma ação seja tomada.

De acordo com Mergulhão, melhorias na eficiência do uso da água são fundamentais para mitigar esse déficit. "A combinação de expansão populacional, crescimento econômico e urbanização exercem pressão sobre os recursos naturais de forma geral, mas em especial sobre a água", diz.

Outro agravante são as mudanças climáticas. Para cada grau de aumento na temperatura global, aproximadamente 7% da população mundial ficará exposta à diminuição de ao menos 20% no acesso aos recursos hídricos.

EMPREGO

É a primeira vez que esse relatório, produzido todos os anos pela ONU, aborda a relação da água com a geração de empregos.

Ambos os temas estão expressos em dois dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançados pelas Nações Unidas durante a Rio+20, em 2012, e que passaram a valer este ano.

O ODS6 prevê "garantir disponibilidade e manejo sustentável da água" e o ODS8 é sobre "crescimento econômico e trabalho decente".

De acordo com Angela Ortigara, do Programa Mundial de Avaliação de Águas da ONU, a agenda do desenvolvimento para os próximos anos permite que os dois objetivos sejam trabalhados de forma conjunta.

"O estudo aponta que há oportunidades econômicas na gestão da água. O reúso, a reciclagem, a captação de água da chuva e o investimento em saneamento tem potencial para criar novos empregos", diz ela. Segundo o relatório, só na América Latina o investimento de US$ 1 bilhão em abastecimento de água e ampliação da rede de esgotos resultaria em 100 mil novos empregos.

PILOTO

No Brasil, as estratégias de cumprimento do ODS6 estão envolvendo prefeituras e iniciativa privada em um movimento para reduzir as altas perdas na rede de distribuição de água.

A Prefeitura de Piracicaba, no interior paulista, foi a primeira a aderir a um projeto piloto de redução de perdas, que deverá ser apresentado durante o Fórum Mundial da Água, a ser realizado no Brasil em 2018.

O município, que hoje tem em média 50% de perdas na rede, quer dobrar a eficiência do sistema, de modo que as perdas não ultrapassem 25% até 2040.

"Até então, as empresas conviviam com as perdas na rede de distribuição como se fosse parte do negócio. Queremos engajar prefeituras e indústria na busca de solução para isso", diz Jorge Soto, diretor de sustentabilidade da Braskem, uma das empresas que lidera a iniciativa, fomentada pela Rede Brasileira do Pacto Global da ONU com outras empresas e ONGs.

Fonte: Folha de S. Paulo, 23-03-2016


Sem mudanças profundas, risco de faltar água em SP não acaba tão cedo

Sem uma espécie de reforma hídrica, o risco de o racionamento de água voltar à Grande São Paulo nos próximos anos é real, segundo especialistas do setor.

"Não aprendemos nada. Crise não começa nem termina por decreto"

Wagner Costa Ribeiro, Geógrafo da USP.

Apesar de o governo do Estado, sob o comando de Geraldo Alckmin (PSDB), ter sempre amenizado o problema, milhares de pessoas, principalmente das periferias da metrópole, ficaram sem água por várias horas ao dia entre o início de 2014 e durante boa parte de 2015.

No último dia 7 de março, Alckmin declarou que a crise hídrica havia terminado.

"Não aprendemos nada. Crise não começa nem termina por decreto", afirma o geógrafo Wagner Costa Ribeiro, professor titular do Departamento de Geografia da USP.

Para o estudioso, a crise hídrica vai continuar à espreita dos moradores enquanto não houver mudanças estruturais na forma de gestão da água -tanto por parte do governo quanto por parte da população, que precisa mudar sua cultura de desperdiçar muito.

Precisamos de mais infraestrutura para captar mais água e do uso racional por parte da sociedade, mas também há outros pontos cruciais que não foram tocados, diz o geógrafo.

Os setores da indústria e da agricultura precisam mudar seus processos, defende Ribeiro. "Também é um absurdo os chamados contratos de demanda firme, em que os grandes clientes precisam consumir um volume alto de água para terem direito a uma tarifa mais barata", diz.

INFRAESTRUTURA VERDE

O ataque para baixar a demanda de água na Grande São Paulo, que envolve também aumentar o reúso, é apenas parte da solução, segundo os especialistas.

Do lado da oferta, os alvos são a busca por novos mananciais, a redução de perdas, o aumento da capacidade das estações de tratamento de água e o avanço dos programas de despoluição de rios e córregos.

Cálculos mostram que priorizar o plantio de florestas pode ser seis vezes mais barato do que pagar pelos métodos tradicionais de aumento de produção de água.

No médio e longo prazo, entretanto, uma saída segura, segundo o biólogo Samuel Barreto, da ONG TNC, é apostar muitas fichas na chamada infraestrutura verde. Recuperar e preservar as matas nas áreas dos mananciais ainda são ações pouco praticadas pelos gestores –e que poderiam realmente aumentar a segurança hídrica das cidades. O que será cada vez mais importante, porque, segundo as projeções dos demógrafos, 90% da população latino-americana estará vivendo em zonas urbanas até 2040. Em 2010, eram 80%.

O exemplo da cidade de Nova York é bastante usado pelos especialistas quando o assunto é infraestrutura verde para aumento da segurança hídrica das pessoas. Depois de um investimento maciço em preservação de áreas nos arredores dos mananciais, o custo pela produção de água da cidade caiu. Os cálculos mostram que priorizar o plantio de florestas, no caso americano, ficou seis vezes mais barato do que pagar pelos métodos tradicionais de aumento de produção de água. Como a busca por novos pontos de captação.

O caminho a ser percorrido, portanto, é longo, atesta Barreto. Achar que está tudo resolvido, segundo ele, é incorrer em um grande erro.

LA NIÑA

Sem as mudanças estruturais, os pesquisadores projetam um futuro hídrico incerto, em que os moradores da Grande São Paulo vão continuar à mercê da natureza.

A tese é corroborada pelo meteorologista da USP Augusto José Pereira Filho. "Quem acabou com a crise de água foi a natureza, com nossa forçosa cooperação. Somos 100% dependentes do sol e da chuva. Hoje, pode-se antecipar tais extremos e, assim, melhorar a gestão da água e da qualidade de vida.

De acordo com o pesquisador, a seca recente deixou duas grandes lições. "A necessidade de o governo melhorar a gestão dos recursos hídricos e de a população tomar consciência de que é preciso economizar a água".

Os prognósticos climatológicos mostram a importância de que as lições da crise hídrica sejam aprendidas de forma rápida.

Em geral, períodos de seca na região da capital paulista ocorrem entre 4 anos a 11 anos, de acordo com a análise climática dos dados do IAG (Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas) da USP. Pelos prognósticos, a próxima seca pode ocorrer entre o fim desta década e meados da próxima. O fenômeno El Niño 2015/2016 deve perder força a partir deste outono. "No fim deste ano há previsão de um episódio de La Niña, que tenderá a causar mais chuvas no Norte e menos chuvas no Sul do Brasil", diz Pereira Filho.

Sem chuva nos meses mais quentes, o ciclo vicioso que atingiu a Grande São Paulo nos últimos anos, região que historicamente vive o chamado estresse hídrico, onde existe muita demanda para pouca oferta de água, pode voltar a se agravar.

Fonte: Folha de S. Paulo, 22-03-2016


Lei ultrapassada e conflitos de gestão atrasam limpeza do rio Tietê

Uma norma que praticamente autoriza a despejar esgoto sem tratamento em rios urbanos e conflitos de gestão de saneamento atrapalham a despoluição do rio Tietê, projeto que faz 24 anos em 2016.

Lodo no Rio Tietê

Edemilson Santos, 2014. Lodo no Rio Tietê causou morte de toneladas de peixes.

"O saneamento é dividido em caixinhas, e o rio passa por várias cidades. É preciso vontade política para resolver conflitos", diz a especialista em gestão de recursos hídricos Malu Ribeiro, coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica.

Assinado entre o governo do Estado de São Paulo, a Companhia de Saneamento Básico (Sabesp) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), durante a Eco 92, o Projeto Tietê está na terceira das suas seis etapas.

Na fase atual estão previstas as conexões de 1,5 milhão de pessoas à rede de esgoto, com 200 mil ligações domiciliares, 1.250 km de redes coletoras e 580 km de interceptores. "A fase atual é invisível porque é subterrânea, mas é vital", afirma a especialista.

Segundo ela, já foram gastos pelo menos US$ 2,1 bilhões (R$ 7,85 bilhões), sem contar verbas suplementares. Mas as condições atuais do rio são ainda precárias, apesar dos avanços.

O trecho do Tietê que está dentro da cidade tem 203 km de extensão e recebe, por meio dos afluentes, as cargas de esgoto não tratado de toda a bacia hidrográfica que abrange a região metropolitana. É o esgoto de 14,6 milhões de pessoas por dia, calcula a técnica. Nessa área metropolitana, a poluição é causada 60% por esgoto doméstico, 10% por esgoto industrial e 30% por carga difusa.

"Não estamos no semiárido. Não somos a Califórnia ou a Cidade do México. Quando a gente fala que está em crise, com o índice pluviomético alto que temos, as pessoas dizem: Como?”

Malu Ribeiro, Coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica

De acordo com o último relatório feito pela SOS, em setembro de 2015, havia um trecho de 154,7 km de rio "morto", isto é, com águas contendo de 0 e 4 mg de oxigênio por litro. Essa mancha estava entre os municípios de Mogi das Cruzes e Cabreúva, no interior do Estado.

O fim do programa Córrego Limpo, que deveria tratar 110 afluentes do Tietê numa parceria entre Prefeitura de São Paulo e Sabesp é alvo de críticas. "A Prefeitura fazia os mutirões de limpeza e a Sabesp passava com a rede. Tivemos resultados rápidos em rios como o Ipiranga", afirma a coordenadora da Rede das Águas da SOS Mata Atlântica. O tratamento local dos esgotos é essencial e insubstituível. "Se a gente vier salvando os córregos, os afluentes, as nascentes urbanas, salva a bacia. Não adianta olhar só para o Tietê: ele é reflexo de tudo que é jogado nele", diz.

A crise hídrica também teve impactos no projeto. A escassez acendeu um alerta: "Mostrou que despoluir o Tietê não é conversa de ambientalista, mas questão de abastecimento público", diz.

"Não estamos no semiárido. Não somos a Califórnia ou a Cidade do México. Quando a gente fala que está em crise, com o índice pluviomético alto que temos, as pessoas dizem: Como? Nossa crise é por falta de qualidade e indisponibilidade de uso".

MORTO-VIVO

A boa notícia é que o tema foi encampado pela Campanha da Fraternidade, lançada no último dia 10 de março e conduzida pelo Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (Conic).

Malu Ribeiro espera que a campanha, chamando a atenção para o direito ao saneamento básico e pedindo praias limpas e o fim de rios mortos no Brasil, contribua para que a despoluição do Tietê entre na agenda dos candidatos às eleições municipais e alavanque a mobilização para conseguir alterar a resolução Conama 357, de 2005.

Essa resolução estabelece as classes dos rios segundo o uso preponderante de suas águas e, na prática, libera de tratamento os considerados meros diluidores de poluição, caso em que se enquadram Tietê e Pinheiros.

"Temos que acabar com a categoria que permite rio morto no país. Só com mobilização vamos tomar posse do rio. Ele é nossa história, mas também nossa vergonha."

"As pessoas viajam para qualquer país e voltam encantadas com a forma como o outros tratam bem seus rios. E aqui? Tem de ter outra atitude com a cidade", diz. "A despoluição do Tâmisa (Londres) começou há 135 anos. Poluir e matar é rápido. Despoluir é demorado".

Fonte: Folha de S. Paulo, 22-03-2016


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